A Minha Rádio Podcast: Cowboy Cantor

terça-feira, outubro 17, 2006

GREVE: Um Pouco de Respeito



Eu até era para fingir que não sei de nada, e afastar-me deles, mas fazendo justiça ao ditado, juntei-me a eles. Bem que poderia tentar vencê-los, e convencê-los de que não valeria a pena, mas a verdade é que antes sequer de tentar vencê-los, juntei-me. Vai daí: estou de GREVE.

Faço greve pela dignidade da carreira de um professor, pelo respeito que tenho pelos meus colegas que vão fazer greve, pelo respeito que tenho pelos meus colegas mais velhos, em final de carreira, que vão fazer greve a favor dos professores que estão em início de carreira. Sobretudo faço greve pelo respeito que tenho pelos direitos que os meus pais, professores em 1974, ajudaram a conquistar pelos professores. Não são luxos o que nos querem tirar. São direitos. Direito à progressão na carreira. Direito à contagem de tempo de serviço. O direito de um professor começar e acabar a carreira com diginidade.

Faço greve contra ministros da educação que entrem e saiem sem nunca terem dado aulas. Faço greve contra uma ministra que sente prazer em dizer que perdeu os professores, mas ganhou os pais dos alunos. Faço greve contra um ministério arrogante, obtuso, quadrado e patético.
Peço desculpa aos pais dos meus alunos que não foram avisados que eu iria fazer greve, e vão acordar os filhos de manhã para poderem estar na escola às 8:30. Peço desculpa aos meus alunos que vão estar na escola às 8:30, e não vão ter aula. Peço desculpa a todos, se é que eu tenho culpa de alguma coisa.

Não avisei atempadamente que iria fazer greve, mas também ninguém me avisou, naquele Domingo de Fevereiro de 2005, que as coisas iriam ser assim.

domingo, outubro 08, 2006

Custa Muito Satisfazer Um Cliente?

Qual o valor de um sorriso? Muito gente não sabe o valor certo de um sorriso, porque nunca sequer pensaram que é possível um sorriso servir de moeda de troca por outra coisa qualquer. E quem diz um sorriso, fala também em apresentação, atenção e cuidado.
Isto tudo, porque recentemente fui jantar com um grupo de amigos a um restaurante conhecido por fazer pratos de carne exótica, a qualquer hora da noite. Lembrei-me muitas vezes durante a noite, nos muitos momentos em que estávamos à espera de uma nova bebida, ou de outro prato, do senhor Humberto Chaves. Um desconhecido para muita gente, mas que para mim, desde este Verão passou a ser alguém que conheço, e quero voltar a ver. E porquê? Porque ao contrário de muitos e pretensios restaurantes em São Miguel, o senhor Humberto Chaves tem no seu humilde Ponta Negra, e São Lourenço (Santa Maria) uma forma muito simpática de cativar as pessoas para lá voltarem um dia.
O Ponta Negra, que há noite se transforma quase num quase num clube nocturno, não oferece uma grande variedade de pratos, mas a confecção e o atendimento são mais do que se poderia esperar num restaurante-esplanada, numa zona balnear como a baía de São Lourenço. Desde a jovialidade e simpatia das empregadas, até chegar ao patrão que faz render ao máximo os valores daquele sítio.
Lembro-me muito bem de estar a comer um belo bife de atum, com apresentação e confecção excelente, e de repente dei por mim já não tinha vinho. Continuei a falar com a minha Vitória, enquanto olhava discretamente para o balcão, a ver se alguém me via para eu pedir mais um copo, e sem sequer ter feito outro gesto, o senhor Humberto aparece-me à mesa, com aquele sorriso, que só pessoas divertidas e atenciosas sabem ter, e diz-me:
“Estava a vê-lo a olhar muito para o balcão, vi o seu copo vazio, e trouxe-lhe mais um.”
E fez muito bem por duas razões, uma porque a melhor coisa que se pode pedir no Ponta Negra para acompanhar a refeição, é um copo de vinho branco de pressão (no meu caso foram dois), e por outra, são gestos destes, e abrodagens aos clientes, como a que o senhor Humberto Chaves faz, que me fazem querer voltar ao Ponta Negra, em São Lourenço, nem que vá de propósito a Santa Maria beber mais um copo, e conversar um pouco com o senhor Humberto.
No final, o facto curioso. Por sucessivas falhas de comunicação no multibanco, decidi passar um cheque. E o cheque ficou à ordem do Clube de Amigos de São Lourenço. Não sei quem são estes amigos, mas de certeza que estão bem satisfeitos com a forma de ser e de fazer negócio do senhor Humberto Chaves.
Se alguém está a pensar ir a Santa Maria, passe pelo Ponta Negra, e diga que vão da minha parte. Ah, já agora, podem pedir um copo de vinho branco de pressão, e deixar no meu nome. No próximo ano pago.

domingo, outubro 01, 2006


Há coisas que não me ensinaram, nem sequer me falaram nelas, mas mesmo assim sei que existem. Há coisas incríveis, que sei que o são, mesmo sem que alguém me explicasse o que é uma coisa incrível. Há sentimentos que não sei explicar, nem sequer algum dia pensei sentir tão intensamente, mas que neste momento sei que sinto. E sinto de tal forma, que não consigo, por mais que tente, negar a minha condição humana, variante masculina.
Há sentimentos, há palavras, há memórias, histórias, aventuras, desventuras, há muitas, muitas coisas. Mas sobretudo, existes tu.
Feliz aniversário.