A Minha Rádio Podcast: Cowboy Cantor

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Não Tive Uma Consoada Farta

Não tive uma consoada farta.
Não éramos muitos à mesa. Éramos os suficientes. Claro que senti a falta das minhas irmãs, que de acordo com o estabelecido antes dos respectivos casamentos, este foi o ano de ficarem com a família dos maridos no continente. Tive também saudades da minha sobrinha Marta, e claro da Maura que também foi a casa dos pais passar o Natal.
Não foi uma consoada de extravagâncias, nem de exageros à mesa.
Durante o jantar ia-se ouvindo as canções de Natal que a Antena 1 Açores estava a passar, e ouvimos com alguma revolta a notícia de um juiz que decidiu na véspera de Natal tirar uma criança da sua família de acolhimento.
Não tive uma consoada farta, nem extravagante.
Sentei-me à cabeça da mesa. Ao meu lado esquerdo tinha um homem a quem chamo de Pai, e ao meu lado direito tinha uma mulher a quem chamo de Mãe.
Tive uma consoada feliz.

sábado, dezembro 22, 2007

Mary's Boy Child - Harry Belafonte

Sem dúvida a minha canção favorita de Natal. Pela letra, pela música e principalmente por esta interpretação do Harry Belafonte.

Os meus pais têm uma colecção de discos vinil da Reader's Digest em que se pode ouvir interpretações inesquecíveis de clássicos de Natal. Para mim esta é a melhor faixa da colecção.

Feliz Natal, Terra.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Vou Dar Música

Sempre que entro na sala dos professores, ouço “Lá vem esse dar música”. Sempre que digo alguma coisa nas reuniões, ouço “Estás a falar a sério, ou estás a dar-nos música?”. Sempre que faço uma grande defesa, lá ouço o pessoal dizer “Este guarda-redes está a dar música”.
Pois... É mesmo isto que vou fazer amanhã no jantar de Natal de bloggers: Vou dar música a quem lá estiver.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Teria de Acontecer

Eu sabia que iria acontecer algum dia.
Tenho mantido o Pedro afastado do meu quarto, porque sabia que no dia em que ele lá entrasse as coisas não iriam correr bem. Ou por outra, poderiam correr bem demais.
No dia 8, Sábado, dia de gravação de mais uma emissão do Cowboy Cantor, o Pedro lembrou-se de fazer karaoke para animar a malta lá em casa. Animar? Esqueceu-se que antes de fazer karaoke já tinha estado comigo a fazer uma sessão de percussão nas telhas.
Então lá liguei o microfone. Abri o programa de karaoke, e lá vai disso:
“Like a Virgin” (cantado num falsete de fazer inveja aos manos Gees), “Robocop Gay” (versão muito máscula), “Jardins Proibidos” (dedicatória especial à Maura), “Basket Case” (três ou quatro vezes seguidas, numa atitude muito punk), “Last Christmas” (para não perder o espírito), “Livin On a Prayer” (com a subida de tom e tudo no final, a partir daqui as nossas gargantas nunca mais foram as mesmas):
- Meninos, vocês estão muito bem, mas já é quase uma da manhã e estamos quase com a polícia à porta.
Via-se que a Maura até estava a gostar do espectáculo. Os artistas estavam inspirados.
Seguiu-se “This Love” (muita atitude, com direito a coreografia especial), “Closing Time” (a anunciar um fim de noite, com uma letra hardcore de improviso):
- Meninos, vou-me deitar.
“Just Can’t Get Enough” (e nunca mais parávamos) até que encontrei a faixa para o fim de noite: “My Way”, na versão Sid Vicious.
Resultado: as luzes lá em casa apagaram-se às 3:30 da manhã, uma grande noite de karaoke, e no Domingo, por razões que não sei bem quais, não tinha voz para gravar o Cowboy Cantor.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Chamada de Atenção aos Leitores

Caros leitores do Danialice, é só para avisar que o podcast Cowboy Cantor está de volta.
Nesta nova fase, a música que passo é especialmente feita para ser tocada em podcasts, e incluo nas emissões três rubricas. A saber, "10 Para a História", "Odeio-me e Quero Morrer" e ainda "Dor de Ouvido".

10 Para a História: uma lista de 10 temas que marcam um estilo musical, um artista, o fim de um namoro, um passeio a alta velocidade na via-rápida, ou o que me passar pela cabeça.

Odeio-me e Quero Morrer: dissertação a respeito das canções mais deprimentes que há memória. Esta rubrica poderá em certos momentos não ser de carácter muito sério.

Dor de Ouvido: partindo do pressuposto que a música é uma combinação de sons harmoniosos, o desafio é provar que se pode gostar de música se esta for uma sequência de sons que causam horror, arrepios, delírios, alucinações, pesadelos. Enfim, sons que nos arranhem os ouvidos, mas que até gostamos de ouvir, ou não. Quero as vossas respostas a esta pergunta: Qual a música mais arrepiante que já ouviram?

Estão desde já convidados a ouvir a 23ª emissão do Cowboy Cantor, em que faço uma lista das melhores versões para canções de Bob Dylan, e disserto a respeito da deprimência que "My Immortal", dos Evanescence.
Podem começar a enviar as vossas sugestões para cowboycantor@sapo.pt

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Por Que Razão Não Falo de Futebol No Meu Blog

Por que razão não falo de futebol no meu blog?

Porque para falar de futebol teria de falar de gente pouco inteligente, que aufere ordenados criminosos para quem tira um curso superior e tem de aturar as malcriações dos filhos dos outros. Teria de falar de gente pouco sensata (os árbitros). Teria de falar de gente que não merece na maioria das vezes o meu respeito, nem sequer que eu diga o nome deles (os presidentes dos clubes, os dirigentes e os empresários).
Sobretudo, teria de falar do Sporting… Já nem sei o que dizer a respeito disto.

sexta-feira, novembro 30, 2007

O Junior e a Paz


Bruce Willis, no papel de Korben Dallas, em The Fifth Element, tem uma cena em que promete a negociação pela paz com os soldados do lado mau. Ele negociou sim senhor. Pôs-se frente a frente com o chefe dos maus, e disparou contra a cabeça dele.

A diferença é que, para além de Bruce Willis ser um grande actor, muito melhor do que o Bush Junior, Korben Dallas era um verdadeiro herói cheio de coragem.
(fotografia e notícia via JNAS no :ilhas)

quinta-feira, novembro 29, 2007

Está Vivo

O koala está vivo, mas garanto pela minha saúde mental que nunca passou pelo Danialice, apesar do que diz o Manel. No entanto, ele lá o encontrou e fez questão de mostrar a toda a gente que o koala está vivo. Olha para ele aqui tão riquinho.

domingo, novembro 25, 2007

O Meu Primeiro Presépio


É horrível. Para além de faltar um mês para o Natal, hoje era o segundo dia do fim-de-semana em que a função pública acabou de receber o vencimento de Novembro.
Já se sabe: centro-comercial a abarrotar. O super-mercado parece a Feira da Ladra às 5:30.
Aqueles metros quadrados de lojas tornam-se no salvador de uma sociedade cada vez mais consumista. Uma sociedade que não percebe que tanto faz receber no dia 22, como no dia 1. Temos sempre os mesmos 30 dias para gastar, usar, abusar, estoirar, ou simplesmente poupar o nosso vencimento.
Por falar em salvador: ainda há quem saiba que o Natal é o nascimento do Salvador? Ainda há quem ensine que o Natal é Jesus, amor e família?
Há metros e metros de lojas decoradas com artigos de Natal. Nada de Sagrada Família, Jesus, gruta, anjo Gabriel, nem nada.
O Natal é primeiro que todo o meu primeiro presépio, que acabei de comprar para ir começando a enfeitar a minha casa. É verdade, há quem ainda não saiba, mas não cheguei a ir dar aulas para o Faial. Consegui ficar em S. Miguel, e desfrutar da minha casa na Fajã de Cima, comprada no Verão.
O Natal, o meu Natal, é acima de tudo a minha família, os meus amigos, a Missa do Galo (este ano é o ano de ser o meu coro a tocar na Missa do Galo da Maia).
Não posso deixar de enfeitar a minha casa com o presépio, com a árvore e com o resto. E este ano, da maneira que as coisas estão na escola, tenho de aproveitar qualquer hora livre que tenha para poder preparar o Natal cá em casa.
Comecei hoje, com a ajuda da Maura, por comprar o meu primeiro presépio (1€ no hiper). Durante a semana está prometido mais umas comprinhas para a casa, porque a partir da próxima semana é a doer o final de período: testes, correcção, entrega, notas, reuniões, actas. Enfim…
Venha o dia 14 de Dezembro.

(créditos para a fotografia e para a montagem do presépio para a Maura)


sábado, novembro 24, 2007

Aniversário

O Cowboy lembrou-se, e o Delfos também.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Onde Está o Koala?

Ontem à noite. Praia dos Moinhos, Porto Formoso. Café “Os Moinhos” (o qual se orgulha, e posso concordar, de ter o melhor hambúrguer dos Açores, num teste realizado pela Pro Teste).
O meu pai, a minha mãe, o meu primo Álvaro e a minha Maura, mais o José Soares, um senhor e sua senhora que trabalham na R.D.P., que não sei os seus nomes, e o Manuel Sá Couto.
Conversa sobre livros, política, jornais, e chega à mesa os blogs:
- Oh Manel, tens a certeza que o teu contador de visitas ao blog está a trabalhar correctamente?
- Eh pá, acho que sim… É verdade, Rodrigo (e vira-se o Manuel Sá Couto para mim), onde é que foste arranjar aquele koala que tens no teu blog?
Koala? Qual koala? Alguém já viu por aqui algum koala? No Cowboy Cantor? Alguém já viu por lá alguma coisa? O Manuel garantiu-me que até o pôs no seu blog, com ligação ao meu.
Era já uma da manhã. Das duas uma, ou o Manuel Sá Couto teve um ataque momentâneo de loucura, ou eu é que estava tão cansado que não consegui perceber qual era o koala. De qualquer forma, alguém sabe onde para o koala?

segunda-feira, novembro 19, 2007

Cover: Já Sei que Raio de Palavra é Esta

Nada como pensar, discutir, debater e reflectir. Sou homem de reagir a quente em certas situações. Homem de impulsos.
Depois de ter publicado o texto “Música Cover: Que Raio de Palavra é Essa?”, e de ter recebido uma resposta do João Nuno, conhecido nas lides bloguísticas como o JNAS, estive a pensar no sentido da palavra e o porquê da sua utilização a propósito de um artista que interpreta uma canção que não é sua, numa versão diferente. E realmente, “cover”, apesar da ser uma palavra inglesa, adequa-se.
Porquê? Agora, vou eu fazer o outro papel. O de advogado de defesa.
Se pensarmos num jornalista que vai cobrir um acontecimento, por mais objectivo que seja, a cobertura do acontecimento acaba sempre por ser uma versão própria.
Portanto, em português “cobertura”, “cobrir”. Em inglês, “cover”, “to cover”.
Sim, eu admito: não sabia mais do que estes adultos, por exemplo, mas agora sei.
Continuo a preferir a usar palavra portuguesa “versão”, mas já não vou achar assim tão estranho quando alguém se referir ao que Freddy Mercury fez com “The Great Pretender” como sendo uma “cover” (lembrei-me deste, porque na próxima Quinta- Feira, dia 22 vai fazer 16 anos que morreu. Não é verdade, Sérgio?).
A propósito, aquilo que os Black Eyed Pees fizeram em "Pump It", não é uma versão, ou "cover". É um crime público. É o assassínio do grande clássico que é "Misirlou".

Português in In concreto

A propósito do que disse aqui e aqui, é com muita alegria que reparo que não sou o único. Só é pena o acento inclinado para o lado contrário. Mas este In concreto tem o meu apoio.

sábado, novembro 17, 2007

Podcast de Volta

Voltei às emissões do podcast, com música legal e tudo. Até alguns artistas me têm escrito a dizer que agradecem que eu uso a música deles nas minhas emissões.
Já sabem onde encontrar o primeiro podcast açoriano (ainda serei o único a fazer podcasts nos Açores?).

Transferência directa da 22ª emissão aqui
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Comentem aqui (correio electrónico) ou aqui (Lusocast) ou aqui (blog)

quinta-feira, novembro 15, 2007

Primeira Competência: usar correctamente e valorizar a Língua Portuguesa

Porque uma das competências de tenho que desenvolver nos meus alunos é o uso correcto da Língua Portuguesa e gosto pela mesma, recuso-me a usar palavras como “download”, “upload”, “e-mail”, “browser”, “timing”, “penalty”, e outras que tais. Para tal, uso as palavras que fui aprendendo em português: transferência, envio, correio electrónico, explorador, prazo ou tempo, grande penalidade.
Isto a propósito do uso corrente da palavra “cover”, quando se fala de música.
Uso corrente e por vezes incorrecto.
Descubram porquê aqui (onde havia de ser?).

sábado, outubro 20, 2007

Fado do Encontro

Quando dois corações apaixonados se encontram, dá nisso: uma felicidade que se quer eterna.

domingo, setembro 16, 2007

A Portguesa e o Haka

Despertador para Sábado não é coisa comum. Mas, em dia de Portugal-Nova Zelândia em rugby, nenhum momento poderia ser perdido. Vai daí, preparei o "Shook Me All Night Long" para tocar às 10:30. Acho que estava tão ansioso quanto os Lobos, e acordei às 10:15 (depois de ter ficado a tocar e a cantar até às 4 da manhã, com alguns amigos e umas cervejas, acordar às 10:15 é obra).
Estava em causa o jogo da vida dos atletas portugueses, e dos adeptos da modalidade.
Se por um lado a interpretação cheia de garra (afinação não conta) da "Portuguesa" marcou o campeonato do mundo 2007 de rugby, por outro lado cada Haka torna-se um momento histórico para recordar.
Os Lobos irão dizer aos seus netos "Eu joguei contra a Nova Zelândia", e eu hei-de dizer quase com o mesmo orgulho "Eu vi o Haka contra Portugal".

quarta-feira, agosto 29, 2007

Nota de Despedida

(Prometo ao que ao longo deste texto não vou fazer piadas do tipo: O melhor do Faial é a vista para o Pico)

Hoje foi um dia de angústias para muitos professores. Uns ficaram no desemprego, outros ficaram na escola que queriam, outros souberam que vão ter de sair do continente para vir para os Açores, e outros souberam que vão ter de sair de São Miguel para ir para o Faial.
Acredito que vá ter um ano bom na Horta, mas a hora da despedida é sempre dura, por isso...

Always Look on the Bright Side of Life (from Monty Python)
Letra e Música: Eric Idle

Some things in life are bad
They can really make you mad.
Other things just make you swear and curse.
When you're chewing on life's gristle,
Don't grumble, give a whistle,
And this'll help things turn out for the best...

And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...

If life seems Jolly Rotten
There's something you've forgotten,
And that's to laugh and smile and dance and sing.
When you're feeling in the dumps
Don't be silly chumps,
Just purse your lips and whistle - that's the thing.

And...always look on the bright side of life...
Always look on the light side of life...

For life is quite absurd
And death's the final word,
You must always face the curtain with a bow.
Forget about your sin - give the audience a grin.
Enjoy it - it's your last chance anyhow.

So always look on the bright side of death,
Just before you draw your terminal breath.

Life's a piece of shit
When you look at it.
Life's a laugh and death's a joke, it's true.
You'll see it's all a show
Keep 'em laughing as you go.
Just remember that the last laugh is on you.

And always look on the bright side of life...
Always look on the right side of life...
(Come on guys, cheer up!)
Always look on the bright side of life...
Always look on the bright side of life...
(Worse things happen at sea, you know.)
Always look on the bright side of life...
(I mean - what have you got to lose?)
(You know, you come from nothing - you're going back to nothing.
What have you lost? Nothing!)
Always look on the right side of life...


segunda-feira, agosto 27, 2007

Medalha de Ouro Para Portugal




É bom saber disso. Melhor é ver a humildade com que o atleta subiu ao pódio.
E a nossa bandeira realmente é muito bonita.

terça-feira, agosto 21, 2007

Erros Anti-Cópia

Como toda a gente sabe, quem ainda compra discos, há muitos que hoje em dia vêm com um sistema de anti-cópia. Primeiro que tudo, antes sequer do primeiro disco com este sistema ter sido posto à venda, já se sabia que havia quem tivesse forma de contornar o código, e continuar a copiar discos (para mp3, ou até cópia directa).
Armado em defensor da liberdade de divulgação da arte, até andei uns tempos sem comprar discos que traziam o tal aviso. Bem sei que dá para copiar e oferecer aos meus amigos todos os discos que tenho com sistema anti-cópia, mas deu-me para esta teimosia durante uns tempos. Claro, esta fase já passou, e lembro-me uma vez de andar a pesquisar as prateleiras das lojas à procura dos tais discos, que já tinham a sua idade, e comprei-os antes que se esgotassem.
Recentemente comprei um auto-rádio novo (ver O Gaspar É Maricas, artigo publicado neste blog), que está preparado para ler discos áudio, mp3, gravados em casa e regraváveis. Enfim, um dispositivo indispensável para um amante da música.
Continuo a ter muitos discos originais no carro, alguns de mp3 e outros tantos gravados com faixas compradas no iTunes. O meu espanto foi quando um dia destes estava a ouvir o disco Inside In/Inside Out, dos Kooks, e comecei a notar falhas na leitura:
- Bolas, o leitor é novo e já está a dar problemas!
Pensei eu. Troquei de disco, e não deu problemas. Voltei a pôr os Kooks, e lá estava de novo o erro de leitura.
Foi então que descobri: todos os discos que têm um sistema anti-cópia provocam um erro de leitura no auto-rádio. Solução: contornar o sistema de anti-cópia, passar a música para mp3, gravar num disco novo, e ouvir confortavelmente no carro (e já agora, aproveitar, e passar algumas faixas para o leitor de mp3 portátil).

sexta-feira, agosto 17, 2007

Descoberta do Cowboy Cantor

De férias. Férias de blogs, de aulas, de praia, de tudo, menos da música e bicicleta, encontrei isto: um trio que se chama Portugal. The Man
Mais pormenores no blog do Cowboy Cantor

terça-feira, julho 03, 2007

O Gaspar É Maricas

O Frederico, o meu primo mais velho, embora seja mais novo do que eu, disse-me hoje, referindo-se ao meu Gaspar:
- Este gajo é maricas.
Depois de ver o que vi, desiludido, fui obrigado a concordar com ele: O Gaspar realmente tem coisas de mariquinhas. Todo cheio de tiques, e coisas que só servem para irritar um homem.
Há muito tempo que o Gaspar não tocava bem. Fosse lá o que fosse, as coisas não saiam bem. Às vezes até saiam com ruído. Tinha de ver o que se passava, mas ninguém se aventurou a perceber. Falei com várias pessoas, e todas elas passavam o assunto para alguém, que acabava por reencaminhar o caso para a última pessoa com quem tinha falado.
Mas o Frederico, apesar de achar que o Gaspar é maricas, lá meteu mãos à obra. Uma hora de paciência resolveu o assunto. Agora o Gaspar já toca nas melhores condições.
Na Maia já esteve a tocar Sex Pistols. Fomos à Ribeira Grande ao som dos Da Weasel. Ao passar por Rabo de Peixe, não me intimidei: pus os óculos de Sol, arregacei as mangas até aos ombros, baixei os vidros (tranquei as portas), levantei o som e atravessámos a vila ao som de “Everything About You”, dos Ugly Kid Joe.
Mas realmente foi preciso alguma paciência para que o Gaspar voltasse ao que era.
Resta-me dizer que devido a certas incompetências dos técnicos da Volkswagen, ninguém quis arranjar o laser do leitor, mas o Frederico, o meu primo mais velho, voltou a dar vida ao interior do meu Gaspar (comercialmente conhecido como Polo 1.2).

domingo, julho 01, 2007

Três Socialistas À Mesa (ainda existem)

Num jantar de professores é muito comum se falar do actual sistema político nacional e regional, principalmente no que diz respeito ao Ministério da Educação e Secretaria Regional da Educação. Mas nada previa que três colegas, militantes da Juventude Socialista (um deles eu), que mal falaram uns com os outros ao longo do ano, se sentassem juntos e depois acabassem por descobrir muitas semelhanças, e algumas diferenças na forma de pensar e agir.
As semelhanças:
- Quando o Sócrates entrou, entreguei o meu cartão.
- Bem, eu não entreguei, mas deixei de participar.
- Cá por mim, não entreguei porque nunca o tive, mas já pedi para não me chamarem.
As diferenças:
- Para as próximas vou votar na C.D.U.
- Eu vou votar na esquerda. De certeza que será no Bloco.
- Eu nem sei se vou votar.

quarta-feira, junho 06, 2007

Chá Ao Luar, Corridas Ao Sol (alteração)


Chá ao luar, e corridas ao Sol. Poderia ser esta a frase para assinalar os dois primeiros dias da VI Semana Cultural da Maia, uma iniciativa da Junta de Freguesia.
Hoje há a noite do pão quente, onde será servido chá Gorreana, massa sovada, pão acabado de sair do forno, com manteiga ou queijo. Começa às 22:00 no porto de barcos da Maia, mais conhecido por Calhau. Durante o serão, entre muitas outras actividades de animação, haverá a actuação da banda Kapa.
Amanhã, por motivos profissionais, uma vez que só também técnico de atletismo no Clube Desportivo Escolar da Maia, será para mim o grande dia desta semana.
Vai-se realizar a II Grande Corrida da Maia, com a presença do atleta internacional português, Paulo Gomes, o qual recentemente ganhou uma maratona na Alemanha, e já tem mínimos para ir aos Jogos Olímpicos.
A corrida começa às 17, e está a aberta a quem quiser participar, dos benjamins aos veteranos. Quem estiver interessado, deverá estar em frente à Escola Básica Integrada 2/3 da Maia pelas 16:00.
Muitas outras actividades irão decorrer ao longo dos próximos dias, as quais serão devidamente anunciadas aqui.
E alteração é que a Noite ao Luar vai ser realizada na tenda montada em frente à Escola Básica Integrada da Maia. Porquê? Ora porquê. Ainda não parou de chover. Raios partam a quem inventou a chuva em dias de festa.

quinta-feira, maio 31, 2007

Mais Uma Vez Quase Nada

Mais uma vez a adesão à greve geral convocada para ontem foi uma desilusão. Fiz greve convicto das razões que levaram a que fosse convocada. Não acredito, nunca acreditei, que a greve resolva alguma coisa, mas se esta é a forma indicada pelos sindicatos de lutarmos pelo respeito e pela dignidade para com a função pública, então hei-de aderir à greve sempre que achar que os motivos vão ao encontro do que deve ser uma carreira digna de um funcionário público.
Uma aluna de 9 anos perguntou-me se eu ia fazer greve, e eu respondi que sim:
- Mas porquê, professor? O professor não quer dar aulas amanhã?
- Não é isso, Eunice. Eu estou zangado com o governo.
- Hum, a professora também... É isso mesmo professor, faz greve.

domingo, maio 27, 2007

Almoço Grátis (e pequeno-almoço também) na Maia

Há anos que é assim. Tantos anos, quantos a paróquia da Maia, ou quase.
Segunda-feira, feriado regional, é sinónimo das festas em louvor do padroeiro da paróquia da Maia: O Divino Espírito Santo.
Crentes e não crentes, católicos ou não, ninguém pode ficar de fora das festas da Maia na próxima Segunda-feira. Haverá leite e massa sovada durante a manhã, e depois do cortejo para a bênção dos animais, no adro da igreja montam-se as mesas e quem aparecer tem carne guisada com batatas, e um pão de casa, do melhor que se pode desejar, à disposição para um almoço em comunidade. Espalhados pelos muros, sentados nas escadas, sentados no jardim, o que conta é conviver com a comunidade, e fazer a festa.
No ano passado fomos 3000, houve quem viesse, de propósito, de Santa Maria à Maia para participar no almoço. A ver se este ano somos mais. Não faço a ideia quantas pessoas estiveram envolvidas na organização do almoço, mas sei há sempre muito boa vontade por parte destes lavradores em quererem oferecer o que têm. O pão e a carne são cozidos em casa por senhoras que oferecem o seu trabalho em troco de apenas um obrigado por parte de quem aparece.
Fica o convite para que todos participem nas festas em louvor do Divino Espírito Santo da Maia, o nosso padroeiro.

segunda-feira, maio 21, 2007

O Tempo dos Bufos e das Bufas (ou o país que é uma flatulência na eminência de ser expelida)

Aconteceu num país europeu democrático:
Um professor, dirigente de um sindicato, numa conversa particular com um colega, fez referência, em tom de piada, ao facto do primeiro-ministro daquele país ter uma formação duvidosa. Colega colega foi informar a presidente sindical lá da região. A senhora decidiu instaurar um processo disciplinar ao professor que fez a tal referência à formação do primeiro-ministro, e suspendeu-o imediatamente das funções que ocupava no sindicato.
Em comunicado, a senhora explica que o processo prende-se com o facto de o primeiro-ministro a quem o professor se referia ser o primeiro-ministro de Portugal.
Voltámos ao tempo dos bufos e das bufas. O nosso país europeu e democrático (?) está a tornar-se numa terra de lambe-botas, chulos e informadores. Estamos a voltar ao tempo da P.I.D.E., que felizmente não me lembro, mas segundo o que estudei em história (sim, porque no meu tempo aprendia-se que já tivemos um governo fascista), e segundo o que me contam os meus pais, atitudes destas era no tempo da P.I.D.E. e dos informadores.
Outra deste maravilhoso governo democrático, é a criação de uma comissão para assinalar todos os grevistas da função pública, para mais tarde poderem fazer correctamente as estatísticas. Querem enganar quem? Se num dia avisam que quem fizer greve será penalizado na progressão da carreira, e no outro dia anunciam uma comissão de sinalização dos grevistas, o que pretendem? Na minha terra, e noutras, responde-se assim: Puta que os pariu. Para tirar trabalho à comissão, e a quem esteja interessado: vou fazer greve no dia 30 de Maio, e faço greve as vezes que me apetecer e achar que vale a pena lutar por uma carreira decente, com dignidade e justa.

Cowboy Cantor 21ª Emissão

Esta semana há ingleses, americanos, canadianos e portugueses, e há a honra com que se escolha ganhar ou perder.
Para ouvir no sítio do costume: Cowboy Cantor

terça-feira, maio 15, 2007

Desafio à Navegação Blogger

Um desafio que surgiu cá em casa à hora do jantar.
Falávamos de gramática e da fantástica terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (T.L.E.B.S.), que, quase tarde, foi impedida de ser implementada. Palavra puxa palavra, e o meu pai sai-se com esta:
- Sabes qual é a regra para formação do feminino dos substantivos em português?
Claro que não sei. Nem eu, nem ninguém sabe, visto que não há regra. Ao contrário do que somos tentados a responder, troca-se o “O” pelo “A”, não há regra para fazer corresponder um substantivo feminino ao género masculino.
Por exemplo: é certo que pato no feminino é pata. Mas, cavalo no feminino é égua.
O desafio que lanço (e não coloco, porque os desafios não se colocam a ninguém, são lançados ou criados) é que tentem encontrar o máximo de substantivos cujo feminino é só trocar o “O” final pelo “A”. Não vale adjectivos (tonto/tonta; bonito/bonita), nem o substantivo pode perder o seu significado (banco/banca; cavalo/cavala).
Quem passar dos 20 será convidado a vir jantar um dia destes à beira-mar aqui na Maia.

sexta-feira, abril 20, 2007

Mais Uma Na República das Bananas

O presidente do arquipélago das bananas tem cara de porco, corpo de javali, cu de rinoceronte e comportamentos de atrasado mental. Peço desculpa pela ofensa aos quadrúpedes, mas este homem já mete nervos, e com cara de porco, corpo de javali e cu de rinoceronte, já cheira mal a sua presença na vida política portuguesa.
Se vivêssemos num país (foi esta a peta do Foguetabraze: Portugal é um país), o referido animal já tinha ido fazer companhia aos cães e sanguessugas. Mas não, vivemos num lugarzinho ao canto da Europa. Os mais educados dizem que vivemos na cauda da Europa, mas cá para mim, esta cauda está cada vez mais um buraco.
As atitudes do presidente da outra região autónoma portuguesa, são o exemplo mais imediato da parte má de uma revolução como a do 25 de Abril (sempre).
A referida figura proibiu os serviços regionais dos assuntos fiscais, lá da terra dele, de entregar ao governo do Sr. José Sócrates a lista com os devedores ao fisco. A resposta dos serviços lá da região foi que devem obediência hierárquica ao seu governo regional. Fogo, eu também se vivesse lá, com medo de alguma vez estar na praia a apanhar Sol, e de repente levar com rinoceronte com cara de porco em cima, claro que obedecia em primeiro lugar ao presidente regional da Madeira.

segunda-feira, abril 16, 2007

Razões de Queixa?

Um homem vai a uma festa de aniversário de um amigo no Sábado à noite. Tem de abandonar mais cedo do que o resto do pessoal, porque no Domingo vai ter que acordar às 6:45 para ir buscar os seus atletas, e levá-los a uma prova na Lagoa.
Eu pergunto: será que vale a pena?
Saí da Maia com quatro jovens cheios de sono, mais oito na carrinha e voltei da Lagoa com três primeiros lugares (infantis femininos, iniciados femininos e masculinos), mais um primeiro lugar que veio na carrinha (infantis masculinos), fora o pódio das iniciadas que foi todo da Maia também. Para além disso, o segundo lugar por equipas em juvenis.
Valeu a pena? Mas isto é pergunta que se faça?
E no final do dia, a gravação de mais uma emissão do Cowboy Cantor, para ouvir no sítio do costume.

sexta-feira, abril 06, 2007

Hipocrisia Musical

Um dos dias mais hipócritas da história da música nos anos 90 foi há 13 anos. Mais pormenores no Cowboy Cantor

sexta-feira, março 23, 2007

José Sócrates: Este Senhor Mente

José Sócrates: Este senhor mente. Portanto é mentiroso.
Senti-me chocado, primeiro. Depois comecei a sentir raiva dos apadrinhamentos que existem na vida quotidiana portuguesa. Mas quando acabei de tomar o pequeno-almoço, comecei a sentir vergonha de ter votado neste governo, liderado por um engenheiro, que afinal não é.
Li em papel a notícia, mas podem ler em formato digital aqui.

sábado, março 10, 2007

Cowboy Cantor: Emissão Especial No Ar

Está a sair. Fresquinha. A emissão especial dedicada ao 2º Encontro de Bloggers de São Miguel. Não estou com muito tempo para poder explicar, nem dar detalhes, uma vez que tenho de sair para ir para mais uma tarde provas de atletismo nas Laranjeiras.
A emissão já foi mandada para o servidor do Cowboy Cantor. Se não conseguirem ouvir agora, é uma questão de esperarem mais um pouco, para o servidor poder reconhecer o endereço da emissão.
Nesta emissão as escolhas de Carlos Riley, Pedro de Mendoza y Arruda, ambos do :ilhas, e ainda umas escolhas do vosso anfitrião do Cowboy Cantor.
De salientar que esta emissão foi gravada em directo usando uma mesa de mistura. Foi a primeira vez que usei esta forma de gravar uma emissão, e gostei da experiência.
Bom trabalho aos participantes no 2º Encontro de Bloggers de São Miguel.
Atalho para a emissão: http://podcasts.lusocast.com/channel/135/encontro.mp3

quarta-feira, março 07, 2007

ÚLTIMO AVISO: 2º Encontro de bloggers de São Miguel e o Cowboy Cantor

É a última oportunidade dos bloggers que vão participar no 2º encontro de bloggers de São Miguel, poderem também contribuir para a primeira rádio podcast açoriana, Cowboy Cantor, disponível para audição e transferência em http://www.lusocast.com/channel/view/135.
Enviem para o endereço cowboycantor@sapo.pt uma, ou mais, sugestões musicais, para eu ser gravada uma emissão especial dedicada aos bloggers.

quinta-feira, março 01, 2007

Os Melhor Sistema de Ensino Está no Açores

Os Açores têm um sistema de ensino que deveria servir de modelo para o país e quem sabe para o resto da Europa (e já agora o resto do mundo). É esta a conclusão de um estudo que está a ser feito, e deverá demorar mais três a ser concluído e apresentado.
Para começar não percebo aqui uma coisa: se o estudo ainda está a ser feito, como é que já há conclusões?
Quanto ao tal sistema que é um exemplo para o resto do mundo, o senhor Thomas Hofsäss, professor alemão da Universidade de Liepzig, acredita mesmo no que diz. Parece o Pinto da Costa: é capaz de acreditar nas suas próprias mentiras. O professor, que deve ser doutor de qualquer coisa, está então a fazer um estudo para perceber a eficácia do nosso sistema de ensino. É de salientar que na Alemanha os alunos quando chegam ao 4º ano de escolaridade são matriculados em diferentes turmas de acordo com o seu nível de ensino. Escândalo. Mas isto não pode ser assim. Separar alunos que não sabem nada, que são mal-educados para com os professores, colegas e funcionários? Separar alunos que não querem trabalhar dos outros que querem ser alguém com o mínimo de formação? Separar os alunos que não têm capacidades para evoluir ao mesmo ritmo dos outros? Claro que não. Não pode ser assim. Pelo menos é o que diz o professor, e é o que o sistema da região pretende ao nível do 1º ciclo, uma vez que nos outros ciclos as turmas são mesmo separadas pelo grau de aprendizagem. Pelo andar das coisas, qualquer dia o grau de aprendizagem é negativo para todas as turmas.
E como é que se vai avaliar este nosso fantástico sistema de ensino? O professor Thomas Hofsäss e a professora Conceição Medeiros, do departamento de Línguas e Literaturas Modernas da Universidade dos Açores, com a ajuda da Direcção Regional da Juventude e a Secretaria Regional da Educação, vão passar por todas as escolas dos Açores e assistir às aulas com turmas onde existam alunos com dificuldades de comportamento e aprendizagem, misturados com outros alunos que não têm quaisquer tipo de dificuldades. Os dois professores em causa vão eles próprios planificar umas aulas de Língua Portuguesa, Inglês e Desenvolvimento Pessoal e Social. Serão os próprios professores a darem estas aulas, para poderem sentir na prática a realidade deste nosso magnífico sistema de ensino. Vão? Vão nada. Vão mas é passar por todas as escolas dos Açores para dizerem a todos os professores que temos um sistema modelo, e no fim da sua apresentação que dura mais ou menos 15 minutos, dependendo das perguntas feitas pela audiência, vai ser distribuído um inquérito aos presentes. Ou seja: os resultados deste estudo vão ser apresentados tendo em conta as cruzinhas que os professores dos alunos com dificuldades irão deixar nos inquéritos. Quanto aos alunos a quem se dirige este sistema de ensino, nem vê-los. Quanto mais longe deles, melhor. O professor Thomas Hofsäss e a professora Conceição Medeiros nunca saberão se são brancos, negros, chineses, ciganos, católicos, judeus, protestantes (lá isto são, quase todos eles são protestantes). Não me parece que algures nos resultados que irão ser apresentados, vai ficar a saber-se que ontem um aluno meu ao chegar à sala foi empurrado por outro, bateu com a cabeça na porta e gritou: “Porta do c!!alho!”. Posto isto deu um pontapé fortíssimo na porta, que partiu a fechadura e rachou a porta de cima a baixo. Não me parece que nos resultados apresentados irá aparacer que na mesma aula um aluno ameaçou-me que iria chamar o irmão para vir dar cabo de mim. O mesmo aluno virou-se para trás, e empurrou a cabeça de uma guitarra contra a barriga do colega, o qual nem se consegia manter em pé devido às dores provocadas por acto selvagem de um aluno que faz parte deste magnífico Sistema Educativo Inclusivo.
De facto temos um sistema de ensino modelo. O modelo de que como a teoria é muito bonita enquanto for teoria. E quando passar à prática? Bom, façamos como o Hommer Simpson fez uma vez: Em situação de alfição, vamos todos rezar a Deus, Buda e Alá. Algum deles há-de nos ajudar.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

2º Encontro de bloggers de São Miguel e o Cowboy Cantor

A 15ª emissão do Cowboy Cantor já está no ar. É só passarem pelo blog para ouvirem as sugestões musicais que tenho para esta semana, ou então transferirem directamente o ficheiro a partir desta ligação: http://podcasts.lusocast.com/channel/135/015.mp3
A propósito, relembro que estou a preparar uma emissão especial que irá para o ar durante o fim-de-semana do 2º Encontro de Bloggers de São Miguel. Peço novamente que os interessados em participar no encontro me enviem pelo correio electrónico cowboycantor@sapo.pt sugestões de temas que gostem de ouvir quando estão a comentar ou a escrever nos blogs, ou até mesmo temas que gostem só por gostar.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A Formiga No Carreiro


Como uma formiga em sentido contrário. Foi assim que viveu o Estado Novo.
Uma formiga em sentido contrário, que chocou contra tantas outras que seguiam a formiga rainha. Mas esta formiga desobediente decidiu mudar o seu percurso por achar que as outras não estavam no bom caminho. Sem recorrer à força física, decidiu tentar convencer as outras formigas usando as palavras e a música. Foi assim que inventou a canção portuguesa. Foi assim que convenceu outras formigas a mudarem de rumo, e andarem em sentido contrário do restante carreiro. Foi assim que se tornou na formiga rainha. Foi com a força das suas palavras e canções que de José, passou a ser Zeca para os amigos. E os amigos seriam todas as formigas que decidiram acompanhar a sua luta.
Foi pedindo que outros amigos o acompanhassem, e trouxessem outros amigos. E a luta começou a ter mais vozes, o coro aumentou.
Zeca, era na verdade amigo de todos os que queriam chamá-lo de Zeca. Muitas outras formigas em sentido contrário marcaram a luta por um rumo certo através da canção, mas não há dúvida que Zeca Afonso era o símbolo de uma geração de músicos que usavam a sua força musical para lutaram contra o Estado Novo.
No dia 23 de Fevereiro de 1987, pelas 9:05 da manhã, o meu pai bateu à porta da sala da minha mãe, com a voz amarrada na garganta comunicou o que tinha acabado de ouvir no noticiário da Antena 1:
- Alice, já morreu.
Eu tinha 8 anos, conhecia pouco do Zeca Afonso, mas pela expressão dos meus pais percebi o choque que era saber-se desta notícia. Também fiquei triste neste dia. Os alunos da minha mãe chegaram a perguntar se o Zeca Afonso era da família da minha mãe, devido à expressão dos meus pais.
Arrepio-me sempre que ouço a “Grândola, Vila Morena”, a canção que atrevo-me a dizer que é como se fosse um segundo hino da nossa nação, arrepio-me ainda mais ao ouvir o concerto gravado no Coliseu, naquela que foi a última aparição em palco do cantor. Zeca Afonso sabia que cada canção que iria cantar naquela noite seria a última vez que o faria, uma vez que a sua doença não o iria permitir continuar a cantar por muito mais tempo. Ao ouvir o concerto nota-se várias vezes que a voz já estava a falhar, mas como uma verdadeira formiga no carreiro à roda com a vida, lutou até ao fim. Cantou até esgotar o último fôlego. No final, já nem cantava a “Grândola, Vila Morena”. O público cantou quase sozinho, mas ainda houve forças para gritar “25 de Abril, sempre”, e dizer um obrigado e até sempre, porque Zeca Afonso será como o 25 de Abril: sempre.




nota: depois de publicar este texto, o Sérgio, um revisor atento, casado com a minha irmã mais nova, informou-me que o concerto no Coliseu de Lisboa não foi o último. Depois deste concerto ainda houve forças para mais um concerto no Coliseu do Porto, outro concerto em Coimbra e ainda mais um nas Caldas da Rainha. Fica o reparo. O agradecimento ao Sérgio, e o pedido de desculpa pelo meu engano.
nota 2: saliento que ao contrário do que tinha primeiramente escrito, quando o meu pai comunicou a notícia à minha mãe, não referiu o nome de ninguém.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Mais vale um aborto em Portugal, do que um nascimento em Espanha

Não vejo maneira de isto parar.
Ouve-se o ministro da saúde a intervir dizendo que o país tem capacidade para atender aos casos de aborto até às primeiras 10 semanas, por outro lado vê-se uma manifestação porque querem fechar mais um centro de atendimento de urgências. Faz sentido? Para mim não.
Era uma coisa horrível os portugueses terem de ir a Espanha realizar um aborto legal, por isso trata de se legalizar o aborto em Portugal. Por outro lado fecham-se maternindades em Portugal, e dá-se como alternativa uma maternidade qualquer em Espanha. Quer dizer, para nascer já não é problema se for em Espanha. Mais vale um aborto em Portugal, do que um nascimento em Espanha.
Pior: se uma professora entrar em licença de maternindade, o tempo que irá faltar à escola, para além de não contar para progressão na carreira, vai descontar uns dias de serviço, tornando mais difícil a progressão na carreira, e consequentemente torna mais difícil a docente em causa poder aspirar a lugar de professora titular.
É caso para se dizer que o resultado do referendo foi o melhor que poderia ter acontecido às professoras. Se por acaso alguma professora cair no erro de querer ter um filho, está ainda a tempo de emendar tal falha profissional e vai abortar.
Não havia necessidade de um militante do partido que governa país andar atacar os ministros que temos, mas as asneiras e faltas de respeito para com o povo que trabalha para eles é cada vez maior, que já não consigo ficar calado.
E por falar em trabalho, acho que o quoficiente intelectual do nosso ministro da economia é negativo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Quando Aprendi a Dizer Sim

Aprendi por mim mesmo a dizer não. Só dizia não quando era bebé.
Não sabia dizer outra palavra. Era uma tarefa quase impossível, pelo menos muito difícil, me ouvirem dizer sim. Até parecia que não sabia dizer sim. Na verdade, ninguém me tentara ensinar a dizer sim. Ninguém até ao dia em que o meu pai conseguiu me convencer:
- Rodrigo, queres sopa?
- Não!
- Rodrigo, queres ir te lavar?
- Não!
- Rodrigo, queres ir dormir?
- Não!
- Rodrigo, queres um gelado?
- Não... Sim, sim. Quero!
Aprendi sozinho a dizer não. O sim foi o meu pai que me ensinou a dizer. Mas de resto, desde este dia jamais alguém me convenceu a dizer sim contra a minha vontade.

domingo, fevereiro 04, 2007

Encontro de bloggers: Segunda Emissão Especial

Aquando do primeiro encontro de bloggers de São Miguel, fiz uma reportagem que apresentei no podcast Cowboy Cantor. Neste ano apetece-me fazer algo diferente.
Lanço daqui o convite a quem está a pensar participar no encontro deste ano, que através do endereço cowboycantor@sapo.pt, me sugiram temas musicais que eventualmente gostem de ouvir quando estão a ler ou a escrever nos blogs. Sugiram quantas faixas quiserem. A ideia é que no fim-de-semana do encontro, haja uma banda sonora feita pelos bloggers para nos acompanhar. Claro que o resultado final desta mistura musical será gravado e lançado em jeito de emissão especial no Cowboy Cantor.
Quem estiver interessado basta me enviar o nome da faixa e do artista.
Fico à espera das vossas sugestões.
A propósito, já está no ar a 13ª emissão da Rádio Cowboy Cantor.

Ouçam a Rádio Cowboy Cantor aqui http://www.lusocast.com/channel/view/135
Comentem a Rádio Cowboy Cantor aqui http://cbcantor.blogspot.com/

terça-feira, janeiro 30, 2007

De Volta

Preparem-se. Ele vai voltar.
Mais informações no blog irmão Cowboy Cantor

Sim ou Sopinhas

Ainda não decidi o que fazer no dia 11 de Fevereiro. Mas a grande questão é precisamente esta: temos ou não o direito à decisão? Segundo este ponto de vista, até concordo que se deva legalizar o aborto tendo em conta que há sempre gravidezes que podem pôr em risco a vida da mãe, ou que a criança já nasce condenada a morrer alguns dias depois. Aí nesses casos concordo que sim. Deve-se legalizar o aborto. Mas o que eu temo é que o aborto seja liberalizado, até corremos o risco de em vez caminharmos para a legalização, estaremos a promover a libertinagem da prática do aborto.
Até seria capaz de convictamente votar sim, mas a forma como os partidos políticos têm discutido o assunto, tornando esta uma questão partidária, e não ética, como ela é, faz-me ter muitas dúvidas se realmente vou sequer votar.
A luta política que se está a travar pelo resultado do referendo não me agrada, nem torna a questão fácil de debater. Não concordo que um partido faça deste tema a sua bandeira. Deviam sim os políticos que nos governam, os que nos querem governar, mais os que nem sabem o que querem, promover apenas o debate, e não sistematicamente promover encontros e debates onde só se discute um lado da questão.
Não sei o que passou pela cabeça do nosso primeiro ministro ao dizer que se o “Sim” obtiver a maioria dos votos (dos poucos portugueses que vão votar, como se prevê), será uma vitória do partido e da esquerda. Se eu votar sim, e o sim ganhar, não me vou sentir vitorioso. Vou antes me sentir consciente do voto que fiz. Independentemente da minha decisão (sim, não, em branco, nulo, ou abstenção), vou sempre me sentir consciente da minha atitude.
Outra coisa que me deixa perplexo na atitude de alguns quadrantes políticos foi o facto de muitas vozes se insurgirem contra as intervenções que a Igreja Católica tem feito a respeito deste tema. Então a Igreja, que tanto promove os ideais da vida, não haveria de querer participar num debate destes? Não terá ela própria direito a participar? Ninguém, seja o presidente da república, seja a Maria que limpa a retrete do Primeiro Ministro deverá ser deixada de fora neste assunto. Não é um assunto político. É um assunto ético.
Não sei se o “sim” vai ter mais votos no dia 11, mas o melhor é mesmo em caso de não haver maioria de “sim”, começarmos todos os aprender a fazer sopinhas.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

O Processo

Caros leitores, caros amigos, caros camaradas, sejam lá quem forem vocês que estão a ler este texto:
Sabem o que vai acontecer com o tão proclamado fantástico processo de Bolonha?
Uma das coisas vai ser que um aluno que tenha começado a sua licenciatura há três anos, ainda sem o processo de Bolonha, no próximo ano lectivo tem de completar o curso. Ou seja, ter cadeiras pedagógicas, e dar algumas aulas. Isto porque daqui a dois anos, nenhum aluno de um curso via ensino poderá estar matriculado num curso que não esteja abrangido pelo processo de Bolonha.
Ou seja, um curso cujo plano de estudos estava programado para cinco anos, chega a meio, e afinal já não tem os cinco, mas apenas quatro. Quem já está no quarto ano, para o ano que vem, vai fazer estágio com os alunos que estão este ano no terceiro. Daqui a dois anos, vão sair da universidade milhares de professores, dos quais metade tiveram cinco anos de curso, e a outra metade teve apenas quatro. Mas não há problema, todos eles estão em igualdade de circunstância. Pelo menos é o que a lei diz.
E mais, de todos estes milhares de professores que vão sair à pressão, alguns têm a vida condenada:
Muitos estão a tirar o curso de Geografia via ensino, no entanto uma mente brilhante lembrou-se que a partir do próximo ano lectivo vai deixar de haver a disciplina de Geografia, e a da História, para passar a haver a disciplina de História e Geografia. Cunfusos? Eu também.
Acabei de falar com a Vitória, que está de rastos, tal como todos os seus colegas de curso. Neste momento os alunos de Geografia da Faculdade de Letras de Lisboa estão a planificar aulas, porque têm uma cadeira em que é preciso planificar um ano inteiro de aulas. Mas se vai deixar de haver a disciplina de Goegrafia, porque raio estão estes futuros licenciados a planificar aulas da disciplina?
Parabéns Maria de Lurdes, perdeste os professores, ganhaste a população, e agora perdes um apoiante. Não vou deixar de ser militante, nem que seja por respeito a quem me ensinou a ser socialista. Apenas quero deixr claro, se é que ainda não perceberam, que desapoio a minha ministra da educação.
São muitas e sucessivas faltas de respeito para com os professores e a função pública em geral.
Enquanto em Espanha agradece-se aos professores pelo que fizeram pelo país, em Portugal, a ministra agradece à população por estar ao lado dela nas atitudes que cada vez mais tornam o ensino uma farsa, e a profissão de professor um castigo por não termos nascido com vocação para outra profissão qualquer.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O Estado


Há o Estado Novo, o Estado de Graça, o Estado Laico, o Estado da Nação, e agora há o Estado A Que Nos Chegámos.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Sou Um Banana

Sou um banana Sou, claro que sou. Sim Sra. Ministra, eu sou um banana. Sr. Secrtário, não tenha dúvidas, eu sou um banana.
Sou um banana porque me deixo envolver demasiado na vida e preocupações dos meus alunos, com o intuito de os querer ajudar, e quando me chateio com eles, ainda me arrisco a ouvir respostas destas, que passo a citar:
- O professor? O professor é um banana.
Fico banana quando um aluno em plena aula comenta:
- Como é, professor? Eu porto-me bem, e sou obrigado a fazer os trabalhos-de-casa, vir às aulas todas e fazer os testes. O M. que se porta mal e não sabe ler, pode faltar às aulas, só tem as disciplinas que quer, e os professores têm de o passar de ano. O professor sabe? Eu vou começar a portar-me mal, para ir para uma turma de oportunidades e passar de ano sempre.
Fico banana, porque não sei explicar aos meus alunos um fenómeno que eu próprio não consigo compreender.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Convite: Corrida dos Reis

Depois do grande sucesso que foi a I Grande Corrida da Maia (Maio de 2006), com mais de 200 participantes, e a presença de Paulo Gomes, do Maratona Clube, está a chegar a I Corrida dos Reis da Maia.
A organização está a cargo do Clube Desportivo Escolar da Maia (C.D.E.M.), e o convite é para toda a gente, de todas as idades. Dos benjamins aos veteranos, clubes e atletas individuais, federados e não federados.
Domingo, 7 de Janeiro, pelas 10:00 horas. Inscrições no local até ao início da prova (mais coisa menos coisa). A concentração dos participantes será em frente à Escola Básica Integrada 2/3 da Maia.
Até lá.