A Minha Rádio Podcast: Cowboy Cantor

terça-feira, janeiro 30, 2007

Sim ou Sopinhas

Ainda não decidi o que fazer no dia 11 de Fevereiro. Mas a grande questão é precisamente esta: temos ou não o direito à decisão? Segundo este ponto de vista, até concordo que se deva legalizar o aborto tendo em conta que há sempre gravidezes que podem pôr em risco a vida da mãe, ou que a criança já nasce condenada a morrer alguns dias depois. Aí nesses casos concordo que sim. Deve-se legalizar o aborto. Mas o que eu temo é que o aborto seja liberalizado, até corremos o risco de em vez caminharmos para a legalização, estaremos a promover a libertinagem da prática do aborto.
Até seria capaz de convictamente votar sim, mas a forma como os partidos políticos têm discutido o assunto, tornando esta uma questão partidária, e não ética, como ela é, faz-me ter muitas dúvidas se realmente vou sequer votar.
A luta política que se está a travar pelo resultado do referendo não me agrada, nem torna a questão fácil de debater. Não concordo que um partido faça deste tema a sua bandeira. Deviam sim os políticos que nos governam, os que nos querem governar, mais os que nem sabem o que querem, promover apenas o debate, e não sistematicamente promover encontros e debates onde só se discute um lado da questão.
Não sei o que passou pela cabeça do nosso primeiro ministro ao dizer que se o “Sim” obtiver a maioria dos votos (dos poucos portugueses que vão votar, como se prevê), será uma vitória do partido e da esquerda. Se eu votar sim, e o sim ganhar, não me vou sentir vitorioso. Vou antes me sentir consciente do voto que fiz. Independentemente da minha decisão (sim, não, em branco, nulo, ou abstenção), vou sempre me sentir consciente da minha atitude.
Outra coisa que me deixa perplexo na atitude de alguns quadrantes políticos foi o facto de muitas vozes se insurgirem contra as intervenções que a Igreja Católica tem feito a respeito deste tema. Então a Igreja, que tanto promove os ideais da vida, não haveria de querer participar num debate destes? Não terá ela própria direito a participar? Ninguém, seja o presidente da república, seja a Maria que limpa a retrete do Primeiro Ministro deverá ser deixada de fora neste assunto. Não é um assunto político. É um assunto ético.
Não sei se o “sim” vai ter mais votos no dia 11, mas o melhor é mesmo em caso de não haver maioria de “sim”, começarmos todos os aprender a fazer sopinhas.

3 comentários:

Anónimo disse...

Ai não...


Edgardo

Francisco Costa disse...

Deixar as coisas continuarem como estão isso é que não, por isso dia 11 é votar SIM...

Anónimo disse...

Para mentes pequenas basta o sim.
Para seres humanos autênticos, não, nunca, jamais.
Acabei de seguir o debate na RTPA. Não me convencem nem Ricardos nem Carmos, há muitos vazios nas suas mensagens, há algo de artificial nos seus argumentos. Mas,... ouvir este grande açoriano, Álvaro Monjardino, dizer não e porquê,... valeu a pena.
Até tinha pensado não sair de casa, mas vou lá dizer NÃO.