A Minha Rádio Podcast: Cowboy Cantor

quarta-feira, outubro 21, 2009

Resposta

Resposta aos últimos dois comentários de MaesDoc no texto "Declaração de voto" e "Quando se perde não há líder":


Camarada Manel,


(Permite-me tratar-te assim, sem ideologias políticas associadas, mas apenas porque a amizade o impera),


Puxo para aqui a conversa do texto anterior.


Em última defesa, defendo o meu voto em branco porque à direita vejo Leite muito azedo e Portas empenadas.


À esquerda vejo a queda de valores familiares e sociais. Há Portas à esquerda que precisavam de ter várias fechaduras, e só se abrir algumas.


Para além do mais, votar num partido que se antevia fazer coligação com outro qualquer?


Como se viu, o único partido que perdeu as legislativas, afinal o que mais votos teve, ofereceu-se aos outros partidos como quem se vende na rua.


Quanto aos amigos da líder regional do P.S.D, engraçado que esta tem o mesmo nome da presidente reeleita da Câmara Municipal de Ponta Delgada, mas na noite das autárquicas esta duplicidade não se notou, não sei de nenhum amigo. Quer dizer, pelo menos nessa noite não vi, nem ouvi nenhum.


Emissão desta semana do Cowboy Cantor (70ª emissão)

Transferência do mp3 desta emissão aqui (mp3 25,9 mb/28’11’’)

Audição e informações no blog Cowboy Cantor

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3 comentários:

MaesDoc disse...

Chum Rodrigo

É mesmo de camarada e amigo ( que redundância!!) colocares em evidência esta resposta a um comentário meu.

Ainda pensei que para além da amizade pura tivessemos partilhado alguma mesa em comum, em épocas diferentes, claro, nas tropas paraquedistas por onde andei e por onde fui deixando camaradas a rodos. Mas parece que não.

E ainda bem que não resolveste tratar-me por companheiro, que embora sendo outro amistoso tratamento de camaradagem, e com forte significado,pelo menos para os da Sierra Maestra, ainda nos poderiam confundir com os comrade do tal Leite azedo. E ficaríamos mal na fotografia.

E não sei se estás a reparar mas quase estou a deixar em branco alguns comentários à tua decisão da boca da urna. Mesmo assim ainda insisto em deixar aqui duas coisitas, trazendo ainda o camarada á liça.

A primeira vertida do " Canta Camarada" do Zeca:

"Tenho sina de morrer
Na ponta de uma navalha
Toda a vida hei-de dizer
Morra o homem na batalha

Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou. "

A segunda para dizer que o voto em branco, mesmo denunciado e bem argumentado, pouco, ou mesmo nada, fará tremer a pandilha. Vai por mim, que já quase estou a pertencer á secção dos " Velhos Camaradas". Que no budismo tem o seu supremo significado.

E termino porque não quererei ser dos que , inadvertidamente, tragam mais visibilidade ou abram mais Portas à Berta.

Era o que mais nos faltava.

Um forte abraço, e. . .

"Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem...."

Manel

Rodrigo de Sá disse...

Manel,
Citaste o José Manuel, eu cito o José Carlos:

"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

(...)

"... entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas."

(...)

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.

E para acabar a versão americana de todos os Josés e Manueis, Mr. Robert Zimmerman:

"The answer my friend is blowing in the wind"

MaesDoc disse...

Ó Rodrigo

Lembro-me , como se fosse agora mesmo, desse poema canção do Ary, que em 1973 o Tordo, num festival da canção, quase que quis prenunciar uma outra " E depois do adeus" que desaguou no mar do imenso Abril, juntamente com a Vila Morena do Zeca.

Mas de todas do Ary , uma das que gosto mais tem também a ver com o mundo das canções, cantada pelo Hugo Maia de Loureiro, creio que em 1970 ou 1971.

Aqui a deixo:

CANÇÃO DE MADRUGAR

De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite
- sinais de bem despertar –
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar.
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer.

Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei

Dei do meu corpo um chicote de força.
Rasei com meus olhos com água.
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas

E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer

Então
Nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos
nem guerras


José Carlos Ary dos Santos

Um Abraço

Manel