Domingo, Novembro 01, 2009

António Sérgio

Interrompo as publicações semanais do Danialice por causa desta notícia:


Não me lembro quando foi a primeira vez que ouvi a voz do António Sérgio, nem me lembro também da primeira vez que o vi.
Depois de já ter lido muito sobre ele e muito ter ouvido falar dele, a primeira vez que o ouvi, sem saber que era o António Sérgio, pensei:
- Este é que deve ser o António Sérgio.

Não me tinha enganado. Estava de facto a ouvir um programa na rádio do António Sérgio. E digo um programa de António Sérgio, porque era ele que fazia os seus programas.
Contra as listas pré-definidas, ou automáticas, não escondo a minha admiração por este homem que a única forma que sabia fazer rádio era ser ele a escolher o som que se ouvia do outro lado do aparelho e fazia de cada momento radiofónico um momento de companhia. Afinal de contas, a rádio devia ser sempre assim.
Ao contrário do que é prática corrente nas rádios nacionais, e lamentavelmente, regionais, salvo raras e honráveis excepções, cada momento de rádio com António Sérgio era um momento para a descoberta de algo novo, e acima de tudo, a paixão de ouvir e música e rádio. Acima de tudo, sentia em António Sérgio um homem que gostava de fazer companhia.
Nada de carregar no auto-play, ou shuffle, e falar uma vez por hora para dizer as horas.
Se houve alguém que desafiou os portugueses, mas sobretudo o sistema, a começarem a ouvir rock e punk rock, foi António Sérgio.
Foi com ele que uns desconhecidos Xutos & Pontapés começaram a ser ouvidos nos inícios dos anos 80 na rádio portuguesa.
António Sérgio morreu, e com ele morre mais um dos meus ícones.

Durante esta semana, é imprescindível ouvir as últimas emissões já gravadas de António
Sérgio, que irão para o ar na Radar Lisboa (entre as 22:00 e as 24:00, hora dos Açores)

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Nacionalismo

Há dias recebi uma mensagem do vocalista de uma banda que irá brevemente ser apresentada no Cowboy Cantor, os Head Like a Kite. Informou-me Dave que a sua esposa era de Espanha, "not exactly Portugal. But close".
Pensando neste assunto, lembrei-me de várias situações de afirmação de nacionalismo quando espanhóis e portugueses são confrontados com portugueses e espanhóis, respectivamente.
Assim, cheguei a esta conclusão, é mazinha, eu sei, mas é isto que sinto em Portugal, não só em relação ao nacionalismo, mas muitas vezes em relação a certos regionalismos:
Para um espanhol, o melhor de se nascer em Espanha é ser espanhol. Para um português, o melhor de nascer em Portugal é não ser espanhol.

Cowboy Cantor da semana, 71ª emissão:

Transferência do mp3 (30,6 mb/33'24'')
Ouvir no blog Danialice
Ouvir no iTunes
Informações no blog Cowboy Cantor

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Resposta

Resposta aos últimos dois comentários de MaesDoc no texto "Declaração de voto" e "Quando se perde não há líder":


Camarada Manel,


(Permite-me tratar-te assim, sem ideologias políticas associadas, mas apenas porque a amizade o impera),


Puxo para aqui a conversa do texto anterior.


Em última defesa, defendo o meu voto em branco porque à direita vejo Leite muito azedo e Portas empenadas.


À esquerda vejo a queda de valores familiares e sociais. Há Portas à esquerda que precisavam de ter várias fechaduras, e só se abrir algumas.


Para além do mais, votar num partido que se antevia fazer coligação com outro qualquer?


Como se viu, o único partido que perdeu as legislativas, afinal o que mais votos teve, ofereceu-se aos outros partidos como quem se vende na rua.


Quanto aos amigos da líder regional do P.S.D, engraçado que esta tem o mesmo nome da presidente reeleita da Câmara Municipal de Ponta Delgada, mas na noite das autárquicas esta duplicidade não se notou, não sei de nenhum amigo. Quer dizer, pelo menos nessa noite não vi, nem ouvi nenhum.


Emissão desta semana do Cowboy Cantor (70ª emissão)

Transferência do mp3 desta emissão aqui (mp3 25,9 mb/28’11’’)

Audição e informações no blog Cowboy Cantor

Ouvir no iTunes

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Quando se perde não há líder.

Não é fora do comum ouvir-se falar na fraca participação política da população mais jovem.
O incentivo para esta participação deverá vir de cima, e um cidadão qualquer, com0 à partida já não tem muito interesse em ir votar, quando confrontado com certas situações, menos vontade tem de aparecer no local de votos.
Quando há quinze dias o P.S. ganhou as eleições legislativas, perdendo votos e deputados em relação há quatro anos, a presidente do P.S.D. regional referiu que os resultados revelam que o presidente do P.S. regional já não era uma mais valia para os Açores.
Quinze dias depois, inverte-se a situação. O P.S.D. perde claramente as autárquicas. Apanha grandes surpresas. Tem um noite de pesadelo. A presidente da Câmara de Ponta Delgada reeleita, Berta Cabral aparece com ar vitorioso. Não fala da sua condição de líder de um partido que acaba de perder as eleições, e prefere falar apenas na condição de vencedora do concelho de Ponta Delgada.
Um líder é sempre um líder. Se se perde, ou se ganha, um líder tem de estar lá. Nos bons e maus momentos.
O Povo já não é tão parvo como era. Os jovens, aqueles que vão à Green Party, passam as noites de Verão no Campo de São Francisco, e tudo mais, não andam a leste destas situações.
Exige-se mais responsabilidade e coerência na forma como os políticos abordam as questões do dia-a-dia.

Esta semana a 69ª emissão do Cowboy Cantor: uma curiosa emissão

Transferência do mp3 desta emissão aqui (mp3 30,6 mb/33’22’’)
Ouvir no Danialice
Ouvir no iTunes
Informações Cowboy Cantor

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Declaração de voto

Um voto em branco é um grito mudo de protesto. Poderia ficar calado, que ninguém sabia que tinha votado em branco. Tinha apenas descarregado o meu nome dos cadernos e toda a gente sabia que tinha votado, independentemente do tipo de voto que foi.
Se me tivesse abstido, aí toda a gente sabia que me tinha abstido, e saberiam que na sua pontuação (mania parva esta de chamarem "score" aos resultados eleitorais) não contava com o meu voto.
Mas então porque não me abstive? Esta era de facto a minha primeira inclinação, mas seria injusto para com os meus pais que tanto lutaram e ensinaram os valores da democracia. Votei porque quis, não porque fui obrigado, ao contrário do que acontecia antes do 25 de Abril de 1974 sempre.
Votei como quis, não porque me indicaram o sentido de voto. Este foi talvez o maior gozo que tive no Domingo. Foi saber que a educação que os meus pais me deram me permite concordar ou discordar deles quando quiser.
Um voto em branco não um voto inútil. É um voto de quem agradece a democracia, mas recusa qualquer um dos candidatos. Um voto em branco é o voto de quem quer responsabilidade na governação, mas não confia plenamente nos pretendentes a governo.
O meu voto em branco foi o fim de um ciclo de várias eleições em que votei a favor de uma lista, com medo que outra ganhasse. E medo foi uma coisa que se devia ter perdido em Portugal há 35 anos.

O regresso do Cowboy Cantor aqui (mp3 27,6 mb/30’11’’)
Para ouvir no blog Danialice
Informações no Cowboy Cantor

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Delirante

Há muito tempo que já não concordava com o primeiro ministro.
Hoje soube que o nosso primeiro disse que o director do Público tem uma imaginação fantasiosa, delirante e um comportamento absolutamente indigno.
Achei que estava a exagerar, e que o verdadeiro comportamento indigno era por parte do primeiro ministro ao fazer estas acusações.
No entanto, depois de ouvir as explicações de José Manuel Fernandes em directo na SIC Notícias, fiquei com esta certeza: o homem realmente delira.
Não percebi nada do que disse.

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Praia dos Moinhos, Secretários e Janelas

Nunca percebi, e acho que nunca irei perceber a lógica da escolha de certos ministros, secretários ou directores. Umas vezes são ministros das finanças, outras vezes são ministros da educação. Noutras vezes são secretários da educação, sem nunca terem dado uma aula, como de repente são os mais qualificados para o ambiente.
Há uns tempos, o responsável pelo bar da Praia dos Moinhos quis montar um corrimão em alumínio nas escadas de pedra de calçada que davam acesso à praia propriamente dita (não ao bar, porque para entrar neste basta descer uma rampa). A justificação era que assim os banhistas poderiam descer e subir com mais segurança. A resposta da altura por parte da Secretaria do Ambiente foi que não era possível legalmente fazer a obra.
Recentemente chegado de férias de Évora, passei pela Praia dos Moinhos para comer o tal hamburguer (aquele com molho sigiloso, mas que já ganhou o prémio de melhor hamburguer dos Açores), e reparo numas fantásticas obras em cimento e betão.
A minha primeira estupefacção foi reparar que no final de Maio, última vez que tinha passado por lá, não havia sequer sinais de obras. Dois meses depois, a obra estava inaugurada.
A minha segunda estupefacção foi perceber que no sítio onde é iligal abrir três furos na calçada para pôr um corrimão, pode-se destruir a calçada, amontoar uns quilos de cimento e betão e proibir os banhistas de se lavarem com shampoo.
No distrito de Lisboa um cidadão prevendo que iria ser-lhe recusado abrir uma janela na fachada da sua casa, fez a obra pretendida sem pedir autorização. Depois da obra feita, foi à câmara local e pediu para fechar a janela. A câmara não autorizou que se fechasse a janela. O homem voltou para casa sem regatear a decisão.
nota: para os ouvintes do Cowboy Cantor, mas não leitores do blog, fiquem a saber que o regresso do primeiro podcast açoriano está atrasado devido a mais um bloqueio do Windows XP do meu computador. A próxima emissão será muito provavelmente gravada em Machintosh.