A Minha Rádio Podcast: Cowboy Cantor

sábado, dezembro 30, 2006

Vida

Hoje tenho vergonha da minha condição de ser humano.
Acabei de tocar em mais uma missa, como é habitual aos Sábados na Maia. Costuma-se dizer que quem toca para Deus, reza duas vezes. Talvez eu tenha rezado mais do que duas vezes durante a celebração. Sou cristão praticante, porque vou, e gosto de ir à missa. Tenho as minhas crenças e as minhas dúvidas. Acredito no amor, mas sobretudo na vida. Sobretudo na vida, e hoje é essa a palavra que mais me passa pela cabeça: VIDA.
Lembro-me de um colega meu de sala que, com 10 anos, escreveu no seu caderno numa Sexta-feira, mesmo antes de acabar as aulas “As palavras que mais gosto são PAI, MÃE e VIDA”. O Fernando até ao Domingo seguinte não deve ter pegado novamente no caderno, nem no lápis, uma vez que nesse fim-de-semana não havia trabalhos de casa. Foi pescar, e ao tentar salvar o cão que caira ao mar, acabou por desaparecer por entre as ondas.
VIDA deve mesmo ter sido a última palavra que aquele rapaz escreveu.
Tenho vergonha de pertencer à mesma condição humana que o Júnior americano, armado em cowboy. Não tenho vergonha do meu Deus, nem do meu Livro Sagrado, mas tenho vergonha de ter o mesmo Deus e o mesmo Livro Sagrado que os aliados do tal americano. Tenho vergonha de ser tão homem quanto o George, o Tony, o Vladimir, e José Eduardo, o Augusto, o Adolph, o Saddam, o Osama.
Sou tão homem quanto esta gente toda. Tenho o direito às minhas crenças, tal como eles, mas há uma diferença: acredito na Vida.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Pergunta e Resposta

Era para eu perguntar “qual Ministra da Educação ou Secretário Regional da Educação me vai pagar as 4 horas que passei a corrigir testes e fazer avaliações finais de período”. Também ia perguntar “qual Ministra da Educação ou Secretário Regional da Educação me vai pagar as horas que vou ficar fechado na escola em reuniões de conselhos de avaliação”. Antes que alguém venha protestar contra os professores, eu mesmo me acuso: Quem me vai pagar todas as horas em que estou a trabalhar para a escola, mas sem ser a dar aulas, vai ser a mesma pessoa que me vai pôr em casa do dia 19 de Dezembro até ao dia 2 de Janeiro de 2007.
Valha-nos isso.

sábado, dezembro 09, 2006

Serei Esquerdista?

A propósito da última capa da revista Visão, em que aparece a primeira dama da nação valente, estive a pensar se serei realemente esquerdista.
Olhei para todo o meu passado, presente, estive ainda a olhar para o futuro e cheguei à conclusão que para perceber se sou realmente esquerdista é uma confusão.
Começando pelas origens, os meus pais nunca me impuseram preferências, sendo que sempre me lembro de ouví-los dizer “Quando chegar à altura de escolheres, escolhe o melhor para ti”. Então eu escolhi.
Escolhi comer a sopa usando a mão esquerda. Escolhi escrever com a mão esquerda. Escolhi tocar qualquer instrumento à direita. Escolhi jogar andebol com a mão direita, ténis e badminton com a mão esquerda. Escolhi servir com a esquerda por baixo em voleibol, e com a direita por cima. Escolhi atacar à esquerda no baseball, e defender à direita. Escolhi defender à esquerda no futebol, e atacar à direita. Escolhi rematar com o pé que tenho mais à mão.
Escolhi usar a esquerda quando me dá jeito, e ser destro quando a esquerda não dá.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Lamentável

Desculpa Danialice. Desculpa por lamentavelmente não me ter lembrado, nem assinalado o teu 2º aniversário (2 de Dezembro). Desculpem todos os outros habituais leitores que ainda insistem em passar por cá.
Desculpa, principalmente, Manuel Estrada (um grande amigo, são 190 e tal centímetros de amizade), por não ter feito nada para assinalar este segundo aniversário. Concordo plenamente que esta data seja tão comemorada como o segundo aniversário da minha Marta (não és tu, ó Cinderela Maria, é a minha sobrinha). É que de facto aos dois anos a Marta já vai conseguir soprar as velas do seu bolo.
Eis as razões: tenho andado a tratar mal este espaço, e ou Cowboy Cantor. Mas, das 8:30 às 16:00 sou professor de gente domesticada, e gente salvagem, que é capaz de mandar um professor apanhar sombra debaixo do carvalho, e ainda chamar para a discussão a mãe de alguma professora. Às 16:15 (já com 15 minutos da atraso) começo a treinar os meus fantásticos atletas do Clube Desportivo Escolar da Maia (C.D.E.M.), os quais, por puro prazer e sem promessas de dinheiro quando forem mais velhos, todas as Segundas e Quintas aplicam-se nos treinos, para nos fins-de-semana irem ao Nordeste, a Ponta Delgada, à Ribeira Grande, seja onde for, buscar medalhas e taças. Às Terças e Quartas e Sextas é a minha vez de ser treinado: badminton.
Depois ainda é preciso arranjar tempo para preparar as aulas normais (para turmas que querem aprender), as anormais (não me posso esquecer do “Livro de San Michele” para o caso de algum aluno me mandar para o carvalho), preparar os testes (mas quem me manda a mim ter que seguir as indicações de avaliação dadas pelos superiores Secretário e Ministra), corrigir os trabalhos-de-casa (que tão surpreendentemente, por se chamarem trabalhos-de-casa, faz-se em casa), corrigir os testes, ficar a par das novidades musicais, e mais importante de tudo, é sempre um quebra-cabeças arranjar um tempo para um telefonema ou outro, para que a Vitória se lembre do refrão do grande êxito do Stevie Wonder.
Não espero que me desculpem, quem está interessado nas minhas publicações do Danialice e do Cowboy Cantor, mas pelo menos confessei-me.

terça-feira, outubro 17, 2006

GREVE: Um Pouco de Respeito



Eu até era para fingir que não sei de nada, e afastar-me deles, mas fazendo justiça ao ditado, juntei-me a eles. Bem que poderia tentar vencê-los, e convencê-los de que não valeria a pena, mas a verdade é que antes sequer de tentar vencê-los, juntei-me. Vai daí: estou de GREVE.

Faço greve pela dignidade da carreira de um professor, pelo respeito que tenho pelos meus colegas que vão fazer greve, pelo respeito que tenho pelos meus colegas mais velhos, em final de carreira, que vão fazer greve a favor dos professores que estão em início de carreira. Sobretudo faço greve pelo respeito que tenho pelos direitos que os meus pais, professores em 1974, ajudaram a conquistar pelos professores. Não são luxos o que nos querem tirar. São direitos. Direito à progressão na carreira. Direito à contagem de tempo de serviço. O direito de um professor começar e acabar a carreira com diginidade.

Faço greve contra ministros da educação que entrem e saiem sem nunca terem dado aulas. Faço greve contra uma ministra que sente prazer em dizer que perdeu os professores, mas ganhou os pais dos alunos. Faço greve contra um ministério arrogante, obtuso, quadrado e patético.
Peço desculpa aos pais dos meus alunos que não foram avisados que eu iria fazer greve, e vão acordar os filhos de manhã para poderem estar na escola às 8:30. Peço desculpa aos meus alunos que vão estar na escola às 8:30, e não vão ter aula. Peço desculpa a todos, se é que eu tenho culpa de alguma coisa.

Não avisei atempadamente que iria fazer greve, mas também ninguém me avisou, naquele Domingo de Fevereiro de 2005, que as coisas iriam ser assim.

domingo, outubro 08, 2006

Custa Muito Satisfazer Um Cliente?

Qual o valor de um sorriso? Muito gente não sabe o valor certo de um sorriso, porque nunca sequer pensaram que é possível um sorriso servir de moeda de troca por outra coisa qualquer. E quem diz um sorriso, fala também em apresentação, atenção e cuidado.
Isto tudo, porque recentemente fui jantar com um grupo de amigos a um restaurante conhecido por fazer pratos de carne exótica, a qualquer hora da noite. Lembrei-me muitas vezes durante a noite, nos muitos momentos em que estávamos à espera de uma nova bebida, ou de outro prato, do senhor Humberto Chaves. Um desconhecido para muita gente, mas que para mim, desde este Verão passou a ser alguém que conheço, e quero voltar a ver. E porquê? Porque ao contrário de muitos e pretensios restaurantes em São Miguel, o senhor Humberto Chaves tem no seu humilde Ponta Negra, e São Lourenço (Santa Maria) uma forma muito simpática de cativar as pessoas para lá voltarem um dia.
O Ponta Negra, que há noite se transforma quase num quase num clube nocturno, não oferece uma grande variedade de pratos, mas a confecção e o atendimento são mais do que se poderia esperar num restaurante-esplanada, numa zona balnear como a baía de São Lourenço. Desde a jovialidade e simpatia das empregadas, até chegar ao patrão que faz render ao máximo os valores daquele sítio.
Lembro-me muito bem de estar a comer um belo bife de atum, com apresentação e confecção excelente, e de repente dei por mim já não tinha vinho. Continuei a falar com a minha Vitória, enquanto olhava discretamente para o balcão, a ver se alguém me via para eu pedir mais um copo, e sem sequer ter feito outro gesto, o senhor Humberto aparece-me à mesa, com aquele sorriso, que só pessoas divertidas e atenciosas sabem ter, e diz-me:
“Estava a vê-lo a olhar muito para o balcão, vi o seu copo vazio, e trouxe-lhe mais um.”
E fez muito bem por duas razões, uma porque a melhor coisa que se pode pedir no Ponta Negra para acompanhar a refeição, é um copo de vinho branco de pressão (no meu caso foram dois), e por outra, são gestos destes, e abrodagens aos clientes, como a que o senhor Humberto Chaves faz, que me fazem querer voltar ao Ponta Negra, em São Lourenço, nem que vá de propósito a Santa Maria beber mais um copo, e conversar um pouco com o senhor Humberto.
No final, o facto curioso. Por sucessivas falhas de comunicação no multibanco, decidi passar um cheque. E o cheque ficou à ordem do Clube de Amigos de São Lourenço. Não sei quem são estes amigos, mas de certeza que estão bem satisfeitos com a forma de ser e de fazer negócio do senhor Humberto Chaves.
Se alguém está a pensar ir a Santa Maria, passe pelo Ponta Negra, e diga que vão da minha parte. Ah, já agora, podem pedir um copo de vinho branco de pressão, e deixar no meu nome. No próximo ano pago.

domingo, outubro 01, 2006


Há coisas que não me ensinaram, nem sequer me falaram nelas, mas mesmo assim sei que existem. Há coisas incríveis, que sei que o são, mesmo sem que alguém me explicasse o que é uma coisa incrível. Há sentimentos que não sei explicar, nem sequer algum dia pensei sentir tão intensamente, mas que neste momento sei que sinto. E sinto de tal forma, que não consigo, por mais que tente, negar a minha condição humana, variante masculina.
Há sentimentos, há palavras, há memórias, histórias, aventuras, desventuras, há muitas, muitas coisas. Mas sobretudo, existes tu.
Feliz aniversário.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Porque Sinto-me Revoltado (desrespeitado, enquanto professor)

Revolto-me contra a comunicação social, contra os sindicatos dos professores, contra o Ministério da Educação, mas sobretudo, e repito sobretudo, revolto-me contra o secretário regional da educação que eu ajudei a eleger quando nas últimas eleições regionais votei no Partido Socialista Açores.
Revolto-me contra a comunicação social porque as reportagens, notícias e informações que dão sobre o ensino, muitas vezes sente-se um carácter subversivo a respeito do ensino, sendo que os professores acabam quase sempre por sair mal na fotografia.
Revolto-me contra os sindicatos, porque só aparecem para chamar de “fascistas”, “ditadores”, “criminosos”, “terroristas” (adjectivos tirados de algumas das cartas aos sócios que recebi do meu sindicato), e outros nomes pouco dignos de quem manda na educação em Portugal. Nunca vi algum sindicato vir a público aplaudir sem reservas alguma decisão do Ministério da Educação, ou da Secretaria Regional da Educação. Um sindicato, principalmente um sindicato de professores, deveria ter uma atitude pedagógica, uma atitude que pudesse permitir aos professores, alunos e políticos verem a Escola e a Educação de outra forma. No entanto, dos sindicatos, principalmente os regionais, noto mais uma atitude de contra-terrorismo para com a Secretaria Regional e o Ministério da Educação.
Revolto-me contra o Ministério da Educação, e respectiva titular da pasta (como é que ela se chama, mesmo?), a qual também ajudei a eleger. Revolto-me contra esta senhora, porque à imagem do restante governo socialista (onde pára o socialismo em Portugal?), está a ajudar a acabar com a dignidade da função pública, e dos professores. No entanto, digo, um professor a mascar pastilha-elástica, como quem rumina erva, com a camisa com as golas viradas para cima, não é de todo o melhor exemplo que uma escola tem para apresentar num programa como os Prós e Contras.
Revolto-me contra o meu camarada regional Álamo Meneses, porque sim. Porque está a tornar sistema educativo regional numa farsa. O homem deve sonhar durante a noite com Peters Pans, Gullivers, Patos Donalds, Terras do Nunca e da Fantasia, e quando acorda:
- A partir de hoje, como forma de prevenir o insucesso escolar, todos os alunos terão de passar para o 2º e 3º ciclo aos 10 e 12 anos, respectivamente, mesmo que não tenham atingido os objectivos.
Claro, melhor forma de prevenir o insucesso não há. Quando alguém vier fazer auditorias e estatísticas às escolas açorianas, ninguém via andar a fazer testes aos alunos, mas sim, ver números de quem fica e quem passa.
Tenho um aluno inserido numa destas turmas de gente que não conseguiu concluir o 1º ciclo antes dos 10, que arrisca-se a chegar ao 9º ano sem saber colar a palavra Portugal por baixo do mapa do nosso rectângulo, cada vez mais quadrado, porque não sabe se a palavra que identifica o país é “Portugal”, ou “bandeira”, uma vez que, com 13 anos ainda não consegue ler mais do que três letras juntas.
É este o insucesso que se está a tentar combater, camarada Álamo? É este o incentivo que se está a tentar dar aos alunos, camarada? Espere só que eu explique amanhã aos meus alunos que, independentemente dos seus resultados, daqui a dois anos vão entrar numa turma especial, com possibilidade de daqui a quatro anos estarem no 9º ano.

quinta-feira, setembro 14, 2006

América a Duas Dimensões

Só podia ser na América.

O país que inventou a guerra do Iraque, inventou agora uns substitutos para os soldados que estão na guerra.

Não estamos a falar de homens que vão fazer as partes de marido, ou pai. Estamos sim a falar de fotografias em cartão, que são ampliadas para o tamanho natural do soldado em falta.

Que fixe, uma exposição de fotografias dos soldados que estão na guerra!

Não, também ainda não é isso. As fotografias são para se ter em casa, e levá-las para todo o lado. Para se ter à mesa no lugar da pessoa ausente, para se levar no carro com o resto da família, para se levar para o restaurante, ao médico, nas visitas de família.

Não se pense que isto é brincadeira, porque há relatos de pessoas que convivem com os soldados de cartão, e fazem os outros conviverem também, explicando que quem os rodeia acaba por achar muito interessante a ideia. Eu também acho uma ideia interessante que estes Flat Daddy, ou Flat mommy (até apetecia escrever flat mummy), nomes oficiais em inglês, venham a fazer parte de um filme qualquer do Tim Burton a respeito da guerra no Iraque.

God bless you, America!

domingo, setembro 10, 2006

Comunicado: Filho da Mãe

Comunicado da respeitável mãe de João Ferreira, árbitro do Boavista-Benfica de ontem à noite:

Gostaria de esclarecer o Sr. Nuno Gomes, e o seu companheiro de equipa Petit que, ao contrário do que foi insinuado pelos senhores, e respectivos adeptos, o João Ferreira é mesmo filho, e não da puta.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Foi Hoje

Foi hoje.
Foi hoje que voltei ao blog. Nesta nova época prometo uma coisa: vou ser chato, muito chato. Vou falar mal de tudo o que achar é que está mal. Vou louvar tudo o que achar que está bem. Vou andar por aí pelos outros blogs, retomando as minhas visitas e comentários, que já alguém apelidou de “comentários com humor muito próprio”. Enfim, vou fazer do Danialice o que ele sempre foi: um blog onde escrevo tudo o que me apetece, quando me apetece.

Foi hoje.
Foi hoje que fui aceitar o meu lugar de professor, ainda que com horário incompleto, mas fui. Foi só descer a rua, fazer a curva, e lá estava ela. A minha escola para o ano lectivo 2006/2007. O coração bateu mais forte, e não resisti a trocar um horário completo na Povoação, por um incompleto, mas a caminho de ficar com as 22 horas. Acho que vou apenas sentir falta de descer a estrada da Lombinha da Maia, ao final do dia, e ver a Maia a surgir lá no fundo.

Foi hoje.
Foi acima de tudo hoje que a Marta fez um ano. O seu primeiro apelido não engana, Marta de Sá Vasco. Aos pais da Marta um muito obrigado pela linda sobrinha que me arranjaram.

quinta-feira, setembro 07, 2006

É amanhã!

quarta-feira, setembro 06, 2006

terça-feira, setembro 05, 2006

segunda-feira, setembro 04, 2006

quinta-feira, agosto 31, 2006

segunda-feira, julho 10, 2006

O Orgulho de Ano Lectivo Em Cheio

... e depois as lágrimas pelos amigos, que por vezes foram alunos, que tive nas Furnas.

quinta-feira, julho 06, 2006

Gente Dessa

Podia começar este texto a explicar os motivos pessoais e profissionais que me levaram a interromper por algum tempo os meus blogs, e o podcast. Podia fazer um apanhado geral do que se passou, por exemplo na Maia durante este tempo todo. Podia também salientar algumas coisas importantes que têm acontecido no ensino. Podia falar do orgulho de ser português (coisa que deve começar a desvanecer hoje, e a partir de Sábado começará mesmo a morrer). Podia falar de tantas coisas, e não ir directamente ao assunto desta publicação, mas não. Vou mesmo directo ao assunto:

Hoje foi o primeiro dia de entrega de notas na Povoação.
Como secretário de uma turma do oitavo ano, também estive presente na entrega de notas, e matrículas.
Estava a sala um pouco movimentada. Eu orientava um aluno que iria repetir o ano, enquanto entregava as notas a dois outros alunos, e a uma mãe.
Mais concentrado no aluno que iria perder o ano, uma vez que a sua matrícula seria feita numa turma com programa profissionalizante (não me peçam para explicar, que agora não explico), ouço a mãe, acabadinha de se sentar, e ainda sem sequer ter olhado para as notas do filho:
- É pena a professora de Educação Tecnológica não estar aí.
Sem ligar muito, comecei a perceber o que se passava. O filho, um aluno com quase todas as notas 3, um ou dois 4, e um 5 (claro, em Educação Musical), iria ter negativa a Educação Tecnológica. Comecei então a lembrar-me que a minha colega tinha dito que o rapaz em causa não tinha entregue nenhum trabalho, e até tinha deixado de ir às aulas de Educação Tecnológica.
Não liguei muito à conversa da senhora, pois estava mais concentrado no aluno que iria perder o ano, enquanto também tentava esclarecer algumas coisas aos outros dois que estavam a fazer a matrícula no 9º ano:
- Gostava de falar com a professora de Educação Tecnológica. Aliás, até é mesmo melhor que ela não esteja aí. Não costumo falar com gente dessa escumalha.

Agora vêm os ministros e secretários da educação falar em avaliação dos professores por parte dos pais? Gente desta é que de certeza a mim não me avalia, porque eu não deixo. Se eu próprio não questiono as notas negativas que os meus colegas dão aos alunos a quem eu dou 5, quem é que, estando fora do ensino, fora das aulas e do ambiente escolar, tem o direito de avaliar os professores e seus métodos de trabalho, em função das notas que os filhos têm? Ninguém. E repito ninguém, porque eu não deixo.
Ser avaliado por um pai? Como se diz na Maia, “ah quele, vai mamar noutra”.

quinta-feira, maio 04, 2006

Feriados e Tolerâncias de Ponto (entre outros)

Feriados e tolerâncias de ponto. Actividades extra-curriculares na escola, as quais obrigam à dispensa dos alunos e dos professores das actividades lectivas, quer para a preparação, quer para participação nessas actividades. Visitas de estudo. 90 minutos semanais de apoio na biblioteca da escola. 90 minutos semanais em horário de substituição a professores que eventualmente irão a faltar. 90 minutos semanais em Gabinete de Disciplina, à espera que algum aluno seja posto fora da aula... Por favor, deixem-me trabalhar.

sábado, abril 29, 2006

Futebol Extra-terrestre

Há muito tempo que deixei de querer falar de futebol aqui. Aliás, quer aqui, quer noutro lado qualquer. Mas hoje abro uma excepção, e vou voltar a falar de futebol apenas com esta pergunta: Que nacionalidade terá um astronauta que levou uma bola de futebol para o espaço, e ficou muito admirado de não se conseguir jogar futebol no espaço por causa da gravidade?
A resposta a esta pergunta, baseada em factos reais, só pode ser uma: O astronauta era brasileiro, porque só um brasileiro se iria lembrar de levar uma bola de futebol para o espaço.

terça-feira, abril 25, 2006

o Charlatão

Dedicado a todos aqueles que lutam contra o asno da outra região autónoma portuguesa (que me perdoe a Associação Protectora dos Animais pela comparação).

O CHARLATÃO
(Sérgio Godinho)


Numa rua de má fama
faz negócio um charlatão.
Vende perfumes de lama,
anéis de ouro a um tostão.
Enriquece o charlatão.

No beco mal afamado
as mulheres não têm marido,
um está preso, outro é soldado,
um está morto, e outro ferido,
outro em França anda perdido.

Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga,
chegam-lhe toda a semana,
em camionetas de carga,
rezas doces paga amarga.

No beco dos mal fadados
os catraios passam fome,
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come,
os catraios passam fome.

Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos,
repartem-se em quatro zonas,
instalados em poltronas.

Para a rua saem toupeiras,
entra o frio nos buracos.
Dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos,
em troca de alguns patacos.

Entre a rua e o país
vai o passo de um anão,
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro de um canhão,
e o trono é do charlatão.

É entrar senhorias
a ver o que cá se lavra.
Sete ratos, três enguias,
uma cabra, abra-cadabra.

sábado, abril 15, 2006

Regras Simples (ou a Matemática não engana)

As regras eram simples: havia 16 perguntas com resposta múltipla à escolha. Cada resposta certa valia 1,25 valores, a somar ao zero que se tem antes de começar qualquer teste. Cada resposta errada descontava 0,3 valores ao total das respostas certas. Só mesmo regras do Instituto Superior Técnico, o Técnico para os amigos.
Ela entrou confiante, apesar de ter estudado mal durante o serão anterior:
- Não é fácil estudar com obras ao lado. Queria ver se fosses tu.
Não estava à espera de um brilhante resultado. Tinha a esperança de não descontar muito.
Ora nem mais, apenas teve um desconto de 4,8 valores. Nada de anormal, a não ser que estes 4,8 valores correspondiam exactamente a 16 respostas erradas.
Fazendo as contas: 0-(16x0,3) = -4,8.

domingo, abril 09, 2006

Malucos Para Tudo

Enquanto professor de Educação Musical, uma das minhas tarefas é dar a conhecer uma grande variedade de fazer música. Foi com este intuito que nesta semana que passou levei para a escola um disco do Bobby McFerrin. Para quem não está a associar, este é o responsável pelo tema “Don’t Worry, Be Happy”, que passava há uns tempos numa anúncio de higiene íntima feminina. A particularidade deste músico prende-se com o facto de apenas usar vozes e batimentos corporais nas suas canções. Nem um único instrumento. Passei um tema que se chama “Thinking About Your Body”, em que ele anda com a voz entre os extremos, de segundo para segundo. Ora está num registo grave, a imitar um baixo, ora está num registo agudo, a imitar uma guitarra a fazer um solo. Isto tudo sem hesitar. Sem falhas.
Quando acabou o tema, olhei para a turma do 8º A, e vi que estavam todos espantados com tal coisa. Num comentário muito juvenil, disse:
- Há malucos para tudo.
Imediatamente tive uma resposta:
- Até para dar aulas.

quinta-feira, março 30, 2006

Insónia

Levantei-me e pensei que o Cavaco Silva era o Presidente da Republica. Dei uma cabeçada na parede para acordar… Fiquei com um galo... Voltei a deitar-me.

quarta-feira, março 29, 2006

A Reportagem

Já está no ar a reportagem (o meu primeiro trabalho jornalístico) realizada durante o encontro de bloggers nos dias 24, 25 e 26 de Março, nas Furnas.Não é uma reportagem sobre o evento, mas sim uma reportagem sobre o papel dos blogs na consturção de uma identidade pessoal, colectiva e até mesmo regional, entre outros temas.Agradeço, por ordem alfabética aos entrevistados Alexandre Pascoal, Carla Dias, do Açoriano Oriental e TSF AÇores, Nuno Barata, Pedro Arruda, Pedro Lomba e Pedro Mexia.


Para ouvirem a Rádio Cowboy Cantor, podem visitar a página aqui, ou transferir directamente a emissão aqui.

terça-feira, março 28, 2006

Encontro de Bloggers- tentativa frustrada de reportagem

Mais uma tentativa em vão de completar a reportagem. Estou mesmo numa fase na escola que me obriga a não dar muita atenção às coisas boas da vida. E coisas boas da vida são ler blogs, escrever para blogs, preparar as emissões do Cowboy Cantor, gravar, enfim, tudo o que está relacionado com o não vender aulas (que também é uma das coisas boas da vida).

"Estou mesmo no final do trabalho, por isso, peço apenas mais umas horas até ao final do dia 28. Pode ser, professor?"

segunda-feira, março 27, 2006

Encontro de Bloggers- a reportagem

A minha vida não é isto. Não me pagam para ter um blog, para escrever para ele, para falar de coisas actuais. A minha vida não é a blogosfera. A minha vida é dar aulas. Dar... quer dizer, elas acabam por ser vendidas, e olhem que apesar de mal vendidas, acabo por aproveitar ao máximo o valor das minhas aulas. Só assim posso explicar a todos os que esperam pela reportagem que fiz para o Cowboy Cantor, a respeito do encontro de bloggers realizado nas Furnas, que só no princípio da madrugada de 2ª para 3ª é que estará pronta.
Agora é tempo de retemperar forças de um fim-de-samana intenso de actividade intelectual, e convívio.
Fica-me uma ideia do encontro: se eu parti para este fim-de-semana sem expectativas, uma vez que nunca tinha estado presente em nada parecido, tudo o que foi acontecendo foi muito bom. De qualquer forma acho que foi encontrado o modelo ideal para a realização deste tipo de eventos.

sábado, março 25, 2006


Estive ontem, estou hoje, estarei amanhã.
Gostei ontem, estou a gostar hoje, hei-de gostar amanhã.
No fundo, estamos apenas a conviver sem compromissos.
Aproveito para anunciar que se prepara uma emissão especial do Cowboy Cantor, que até agora é a única rádio presente no evento.

quinta-feira, março 23, 2006

Tranquilo

E quando tudo acabou, despiu o fato amarelo, saiu tranquilo, consciente de dever cumprido.
Tudo correra como planeado.

quarta-feira, março 22, 2006

Grande Fífia

No dia Mundial da poesia,
Conheci o meu amigo Fífia.
Como ele há muito não se lia.

No Ardemares deixei recado:
Gostei do poeta apressado,
Tanto que não posso ficar calado.

Quero dizer a toda a gente
Que o poeta fala o que sente.
É mentira se disserem que mente.

Fífia nasceu no início da semana.
Poeta e excelente figura humana.
Mais um produto de marca, Mariana.

segunda-feira, março 20, 2006

Em Dia de Pai, Quase Nada

Estou para morrer. O Dia do Pai passou ao lado de quase toda a comunidade bloguística açoriana.
Numa consulta rápida, aparentemente só mesmo o Ardemares aludiu ao dia, com uma simpática fotografia com letras garrafais "PAI".
Enfim, ninguém sequer se lembrou de felicitar o pai dos blogues açorianos.
Oh foguetabraze, até tu, o pai de nós bloggers açorianos, foste esquecido.

p.s.- O Dia da Mãe é em Maio. A mãe dos blogues açorianos que se prepare.

sexta-feira, março 17, 2006

O Meu Pai Soube, E Eles Também

Tinha dito que não iria fazer comentários, mas vejo-me obrigado a explicar o meu artigo anterior na data, posterior na ordem em que se visualiza os artigos dos blogs.
Por acidente, o meu pai descobriu um blog com um sonete de sua autoria a restpeito da Natália Correia. O curioso da situação é que o soneto fora publicado no Corpo Visível como sendo efectivamente da autoria de Natália Correia, quando na realidade se trata de uma tentativa de imitação de um soneto da autora, a qual nunca cheguei a perceber se ela sabia se era ou não açoriana.
Resultado, os resposáveis pelo Corpo Visível decidiram apagar o texto, o que me estragou a minha publicação anterior aqui no Danialice.
Com muito desportivismo, lá o meu pai comentou numa mensagem enviada aos autores que se realmente este soneto fosse da Natália Correia, poderíamos dizer que se tratava de uma obra póstuma da poetisa.

quinta-feira, março 16, 2006

Ai Se O Meu Pai Sabe

Descubram as diferenças. Façam as vossas apostas. Comentem como quiserem. Mas, eu, para não dar uma de suspeito, apenas vou deixar aqui as ligações a dois sonetos, com o mesmo título, mas de autores completamente diferentes – graças a Deus que os autores são diferentes… livra!

Auto-Retrato Alexandrino (1)

Auto-Retrato Alexandrino (2)

segunda-feira, março 13, 2006

Cowboy Cantor 8

Saiu durante a madrugada de hoje a oitava emissão do Cowboy Cantor.
Música portuguesa, canadiana, inglesa, americana. Há de tudo. Há notícias e há comentários à nova lei da rádio.

Ficam aqui também as referências a três podcasts:
Piloto Automático – música dos anos 80
Podcomer – receitas de culinária
Tech Pt Podcast – podcast açoriana sobre tecnologia

Comentários e sugestões para cowboycantor@sapo.pt
Visitem a página da Rádio Cowboy Cantor para ouvir esta e outras emissões anteriores.
Transferência directa da oitava emissão aqui.
Transferência para um leitor de podcasts aqui.

sábado, março 11, 2006

O Mais Longe Possível

Não sendo adepto daquele outro clube da Segunda Circular de Lisboa, assisti com alguma emoção e satisfação ao jogo de 4ª Feira passada. Como se trata de uma competição internacional, quero que aquele outro clube da Segunda Circular vá o mai longe possível na Liga dos Campeões.
Parece-me que a Catalunha é o mais longe possível.

domingo, março 05, 2006

Oscars E Outras Adaptações Estranhas

Em fim-de-semana de entrega de Oscars, presto a minha homenagem a quem paga os tradutores para adaptar os nomes dos filmes estrangeiros para português. Não deve ser fácil aturar pessoas que se perdem em traduções, de tal forma que se lembrem de um nome como “O Amor É Um Lugar Estranho”.
Dos clássicos, aos mais recentes, dos mais conhecidos, aos mais alternativos, toda a história do cinema em Portugal é feita de adaptações muito estranhas.
Em primeiro lugar não percebo porque é que se tem de adaptar os nomes de filmes. Quando muito fazia-se uma tradução à letra. No entanto continuo a não perceber o sentido das traduções dos nomes de filmes. Os nomes dos filmes não são mais do que nomes próprios. Mas pior do que traduzir, ou adaptar os nomes de filmes, são as inúmeras vezes que se ouve os nomes em português, sem nunca se perceber qual o nome original. Por mais estranha que seja a adaptação do nome original, há sempre quem insista em se referir ao filme usando a adaptação em português.
Só espero que as pessoas tenham a consciência que quando se diz “Grande Peixe”, estamos a dizer o título adaptado para português, e não o nome do filme.
Segue abaixo uma lista de filmes com as respectivas adaptações para português. Há coisas aqui muito estranhas mesmo, por isso leiam com atenção.
Comecemos pelos clássicos: “SINGING IN THE RAIN”, em português é “Serenata à Chuva”. Nada de muito estranho, mas não deixa de ser um título fácil de traduzir, por isso não vejo a razão de não haver uma tradução à letra. “MY FAIR LADY” em português torna-se quase ridículo “Minha Bela Lady”. Será que alguém no seu perfeito juízo iria chamar a sua amada de “bela lady”? Quando muito eu diria “a minha bela fema”. Quase sem palavras ficámos ao saber que “WEST SIDE STORY” é “Amor Sem Barreiras”. E o que dizer de “HIGH NOON” quando ouvimos falar em “O Comboio Apitou Três Vezes?”. Muito estranho é também a adaptação de “LA CIOCIARA”. Sophia Loren de “ciociara” passou a “Duas Mulheres”. Resta apenas dizer que “ciociara” é o equivalente a saloia lá para os lados da região de Lazio, em Roma. Por falar em Itália, há um filme conhecido pelo seu nome em italiano, que no entanto o título original é em inglês. Estou a falar de “THE GOD, THE BAD AND THE UGLY”, que em italiano se tornou “IL BUONO, IL BRUTTO E IL CATTIVO”, sendo que “brutto” é feio, e “cattivo” é mau. Apenas uma troca na ordem de apresentação das personagens. Em português a coisa piora. O título “O Bom, o Mau e o Vilão” acaba por tirar o sentido original do nome do filme. “LA NUIT AMÉRICANE” (técnica de filmar com filtro para parecer noite), em Ponta Delgada era anunciado como “O Cinema, O Amor e o Sexo- O Sexo e o Amor no Cinema”. Diz quem foi ver o filme que se tratava de uma história sobre as peripécias de rodar um filme, indo contra todas as desvantagens de filmar uma actriz bêbeda, ou ter de acabar o filme com um duplo, porque o actor principal morrera entretanto num acidente de viação.
Avencemos para os anos 80 e 90. Começo pela lamechice que é a introdução de sub-títulos aos filmes românticos. Patrick Swayze que pensava que era apenas “GHOST”, em Portugal vê o seu papel reforçado com “Ghost, O Espírito do Amor”. Julia Roberts depois de ser “PRETTY WOMAN”, acabaria por se tornar “Uma Mulher de Sonho”. Não é muito mentira, mas na realidade, acho muito forçada esta adaptação. Continuando em filmes de carácter romântico, temos o sensacional “LOST IN TRANSLATION”, que ficou como “O Amor É Um Lugar Estranho”. Perfeito! Nem o realizador mais criativo se lembraria de dar um nome destes a um filme seu, quanto mais fazer deste titulo um título de adaptação. Amélie Poulin em título anglo-saxónico é “Amelie From Montmartre”, sem acento nem nada, porque aquela gente não respeita a restante comunidade mundial. Resta dizer que “O Fabuloso Destino de Amélie Poulin” é a tradução à letra do título original “LE FABULEUX DÉSTIN D’AMÉLIE POULIN”. Continuando com a mesma actriz, Audrey Tautou, um filme não muito conhecido “DIRTY LITTLE THINGS”, tornou-se “Estranhos de Passagem”. Voltando a França, temos “LES TRIPLETTES DE BELLEVILLE”, que se tornou “Belleville Rendez-vous”.
Tim Burton e a sua mente brilhante não escapam à fúria dos tradutores portugueses. “SLEEPY HALLOW” é nada mais, nada menos do que “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”. E outra mais recente, é a estranha tradução de “TIM BURTON’S CORPUS BRIDE”. Seria tão simples traduzir, bastava perceber um pouco inglês. A verdade é que alguém se lembrou de dizer que o filme seria “De Tim Bortun A Noiva Cadáver”.
Na vertente humorística temos “EAST SIDE, WEST SIDE”, que tornou-se “Tradição é Tradição”, e ainda uma nota para “ME, MYSELF AND IRENE”, “Eu, Ela e o Outro”.
Antes de passar ao cinema de animação infantil, apenas dois filmes com sub-títulos. No primeiro caso até se pode compreender o sub-título, pois acaba por chamar atenção para o filme. “IL POSTINO” ficou em “O Carteiro de Pablo Neruda”. No segundo caso, a coisa tornou-se estranha e desnecessária. “TRAFFIC”, em português tem o sub-título de “Ninguém Sai Ileso”. Até parece que estamos perante um filme do Rambo, ou coisa parecida.
Na animação infantil temos linda traduções, tais como “BROTHER BEAR”, “Kenay e Koda”, “TOY STORY”, “Os Rivais”, e ainda a estranhíssima adaptação de “THE INCREDIBLES” para “Os Super-heróis”.

NOTA: a sétima emissão do Cowboy Cantor também vai fazer uma homenagem às traduções de títulos de filmes. Vou dizer todos os nomes dos artistas e dos temas da emissão em português.

domingo, fevereiro 26, 2006

E Depois Ainda Querem Que O Pessoal Leia Jornais

No acesso à informação há vários tipos de cidadãos em Portugal. Obviamente que todos nós sabemos que quem vive em Lisboa tem muito mais privilégios em aceder à informação de imprensa. Não, não vou salientar, como está na moda, imprensa escrita. Se é imprensa, obviamente que é escrita.
Quanto mais longe estivermos da capital, mais difícil se tornará o acesso a revistas, jornais, e outros suportes de informação em papel.
Para além do subsídio de transporte que os leitores açorianos têm de pagar, em agluns casos, estamos sujeitos a uma deficiente distribuição de imprensa nos Açores. Em algumas ilhas os jornais diários só chegam no dia seguinte, quando chegam. Há casos em que até os diários só chegam uma vez por semana, as sete edições da semana todas de uma vez.
Em São Miguel? Bom, dizer que é uma distribuição deficiente é uma forma de elogiar a forma como a imprensa é distribuída por cá.
Nunca percebi, nunca vou perceber, nem vou tentar perceber, até porque sei que ninguém se vai dar ao trabalho de me explicar o porquê de eu apenas poder comprar o Público no dia seguinte à data inscrita no início da primeira página.
Para além do atraso inexplicável num país do século XXI, as condições em que são entregues o material nem sempre são as melhores. Muitas vezes a primeira página vem rota. Noutras vezes o jornal está todo machucado. E em algumas vezes (outra forma simpática de dizer muito frequentemente), os suplementos (revistas, suplementos de cultura, e outros), os quais aumentam o preço da edição a que se referem, não são entregues.
Não sei se a culpa é da distribuidora de São Miguel, ou se é da própria empresa que se encarrega de enviar os jornais para a ilha. O certo é que se houvesse pelo menos mais uma empresa a distribuir jornais e revistas em São Miguel, tenho a certeza que as coisas seriam mais certinhas.
Enfim… há os portugueses do continente, os de São Miguel, os de terceira, e os portugueses da Maia.

sábado, fevereiro 25, 2006

Cowboy Cantor 6

Já está no ar a sexta emissão do Cowboy Cantor.

Visitem a página da Rádio Cowboy Cantor para ouvir esta e outras emissões anteriores.
Transferência directa da sexta emissão aqui.
Transferência para uma leitor da podcasts aqui.

domingo, fevereiro 19, 2006

Excessos de Segurança

Desde o tal dia das gémeas de New York que foram abaixo, que as forças de segurança nunca mais foram as mesmas. Mudou-se todas as regras de segurança por este mundo fora, a ficámos sujeitos a excessos de zelo que por vezes se tornam caricatos – às vezes até ridículos.
Há dias foi preso um cidadão dinamarquês em Espanha, por ter perguntado ao seu companheiro de viagem, antes do avião levantar voo se este se tinha esquecido da bomba. A tripulação ouviu a conversa, e o que era suposto ser uma brincadeira, foi tomado como sendo sério. Num comunicado mais tarde, a própria polícia reconheceu que mesmo são brincadeira, nos dias de hoje não se pode ter este tipo de conversas. O homem está a aguardar julgamento por ter supostamente feito uma ameaça de bomba.
Outro caso insólito, daqueles que figuram na lista de candidatos a ridículo do ano, passou-se nas estradas portuguesas.
Um guarda nacional republicano mandou para um homem por este estar a falar ao telemóvel e a conduzir. Pelo menos foi a razão pela qual o condutor pensou que estava a ser mandado parar. Perante a situação, o condutor sorridente mostrou ao guarda o que tinha na mão. Não era um telemóvel, mas sim um lenço. Qual não é o espanto do civil, quando o guarda explicou que era precisamente por causa disto que estava a ser mandado parar. No entender do guarda, o condutor estava a ter uma condução perigosa, uma vez que estava com uma mão só no volante.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Cowboy Cantor 5

Já está no ar a 5ª emissão.
Podem ouvir a primeira rádio podcast açoriana aqui:

Rádio Cowboy Cantor: http://cowboycantor.mypodcasts.net/
Transferência directa do ficheiro: http://cowboycantor.realazores.com/mp3/005.mp3
Assinatura Digital do Cowboy Cantor (para se usar com um leitor de pocasts): http://cowboycantor.mypodcasts.net/podcast.php

Regras Sem Excepção

Se há excepções que confirmam as regras, a solução para não haver excepções será não haver regras.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Notícias da República das Bananas

Não se trata de um texto de intervenção política. Trata-se mesmo de um texto o mais educado possível, para não ter que mandar aquela gentalha da Madeira ir limpar o cu ao javali que dá pelo nome de Alberto João.
Este texto, e toda a minha revolta por causa deste acontecimento descrito em linhas sumárias aqui.


Chamar de fascistas aos deputados do P.S.D. Madeira seria uma falta de respeito para com aqueles que lutaram pela liberdade em Portugal. Isto não é fascismo. É estupidez. Chamar de asnos ou burros, seria uma ofensa aos quadrúpedes com o mesmo nome. Tenho vizinhos com vão para a terra de manhãzinha com burros que, talvez por não pensarem que são donos mundo, não fazem figuras tão tristes como o P.S.D. Madeira.
Não é possível, como dizia o poeta alegre. Não é possível, sonhava ele. A verdade é que é possível, e incomoda-me saber que na Madeira as coisas são assim. Incomoda-me saber que de quatro em quatro anos esta gente ganha as eleições com maioria absoluta, e depois vai para o parlamento chamar nomes ao presidente da república, ao primeiro-ministro, aos deputados da Assembleia da República, a todos os continentais e demais portugueses que não são madeirenses militantes do P.S.D. Madeira.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Chico Esperto (é de chorar)

Já não me ria assim há muito tempo. Muito mesmo. Talvez desde a última vez que vi um episódio do 3rd Rock From The Sun. Cheguei a casa, abria a caixa correio, e a minha colega de T.U.C.A., embora eu seja um ex-membro, Lena Vasconcelos presenteou os tucanos com uma hilariante apresentação de um papagaio mais esperto do que seria normal.
Transfiram o ficheiro a partir desta ligação Petstar Einstein. São só 333 bytes, o seja à volta de 4 mb.
Se não der a primeira ligação, tentem por aqui.
Não tenham vergonha de se rirem como crianças no circo. É mesmo hilariante, e sabe muito bem acabar um dia assim.

nota: não sei se a ligação está a funcionar bem. Agradecia que alguém me avisasse se conseguiu ver o filme.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Quarta Emissão Finalmente No Ar

Já está no ar a quarta emissão do Cowboy Cantor.
Podem ouvir a Rádio Cowboy Cantor aqui, ou então através do iTunes, subrscrevendo o podcast usando este endereço http://cowboycantor.mypodcasts.net/podcast.php.

A Garrafa

Foi ontem a dar a minha aula às turmas do Programa Oportunidade, para quem não sabe o que é, em três palavras explica-se o que são os alunos dos programas oportunidades: Não querem nada.
Normalmente diz-se que uma turma seria perfeita se não tivesse aquele, ou outro aluno mais malcomportado. No caso das turmas das oportunidades na Povoação, a história é ao contrário, só escapam 4 entre 18, a nível de comportamento.
A minha estratégia é prestar atenção a quem se interessa pela aula, e quanto aos outros, apenas certificar-me que o seu estado físico no fim da aula seja igual ao do princípio. Não admira portanto, que enquanto eu estou a tirar uma dúvida numa passagem melódica de uma música, ou ensinar melhor um passo de dança, a parte da turma que não está virada para a aula esteja na brincadeira.
Pois ontem estiveram para aí uns 6 ou 7 rapazes a brincar durante a aula toda com uma garrafa de água de plástico. Enquanto estava a ensinar o refrão do tema “My Heart Will Go On”, o grande êxito de flauta de qualquer aluno do ensino básico, lá de vez em quando via a garrafa a passar à minha frente. Outras vezes era a tampa, que voltava à origem com o dobro da velocidade.
O que começou por ser uma garrafa de plático pequena, acabou por ser um pedaço de plástico mais pequeno do que a própria garrafa.
Quando comecei a arrumar a sala para me vir embora, lá levantei o que restava da garrafa e pus no lixo. Peguei na mochila, e só aí apercebi-me que afinal a garrafa era a minha, a qual tinha começado a aula dentro da mochila.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Como É Possível?

Como pode um professor de Educação Musical dizer uma coisas destas? A verdade é que está dito, e está aqui para quem quiser confimar.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Moral Em Baixo

Neste dia em que os portugueses reflectem “Meu Deus, o que nós fizemos!”, lembrei-me de uma história que se passou recentemente numa aula minha, e que tem tudo a ver com o moral em baixo.
Turma do oitavo ano, uma das cinco que tenho, pouco depois do almoço. Entra o pessoal, e sentam-se à espera das indicações para a aula. Enquanto começo a resumir (os professores têm esta mania de resumir o que se vai fazer, antes de se fazer) a aula, reparo que uma das raparigas não estava virada para a aula. Aliás, tinha-se virado para a janela, e com cara de poucos amigos. Neste caso, poucas amigas. Quer dizer, eu até acho que estava com ar de muitos amigos, ou pelo menos de um amigo em especial. Mas adiante. Perante tal cenário, tive que cumprir o meu dever, e lá a chamei duas ou três vezes. Diga-se de passagem que sem efeito. Entretanto levanta-se um dos rapazes zangado, e num tom ameaçador dirige-me a palavra nestes modos:
- PROFESSÔ, NÃO A CHATEIES! NÃO VÊS QUE ELA É B’DISTA!
Sem saber se havia de o repreender pela infracção muito grave ao código de aula, ou tentar perceber o que tinha uma coisa (“…não a chateies”) a ver com a outra (“… é b’dista”), olhei para ele com uma expressão que por escrito será assim:
- ???????????
Resposta imediata:
- Ela está sempre com o bode.
Perante a gargalhada geral, só me ocorreu dizer:
- Vocês não prestam para nada.
Logo de seguida juntei-me à festa, e a aula só começou meia hora mais tarde.

domingo, janeiro 22, 2006

1143-2006



Haja o milagre da ressureição.

sábado, janeiro 21, 2006

Terceira Emissão- Rádio Cowboy Cantor

A terceira emissão começa com uma homenagem ao cinema de animação, e ao Macaquins 4. Depois é o desfile de novidades e algumas recordações. São trinta minutos de emissão para ouvir onde e quando quiserem.


Para ouvir há três alternativas:
1) Através do blogue Cowboy Cantor
2) Através da página da Rádio Cowboy Cantor
3) Através do iTunes, ou outro leitor de podcasts, inserido este endereço http://cowboycantor.mypodcasts.net/podcast.php

nota 2: há uma falha grave na emissão. Quando ouvirem Matt Damon, deverão ouvir Damon Albarn

terça-feira, janeiro 17, 2006

Uma Sanita, Um Povo E Todos Os Governos

nota: leia primeiro o texto A Maria merece!, de 14 Janeiro de 2006, em foguetabraze, em que se fala de misteriosas nomeações, com monstruosas renumerações.

Num recente comentário ao um texto do Nuno Barata, no foguetabraze, pois claro, referi que nós funcionários públicos (é triste, mas um professor tem que aguentar esta cruz até à morte) são o papel higiénico do governo. Servimos para limpar a porcaria que eles fazem. Os termos não foram bem estes, mas este blog sempre se primou pela boa educação, que não queria estragar tudo com uma simples palavra merda.
Tenho andado a pensar neste comentário, e acho que não deveria ter dito aquilo. Não sei… não fica bem eu dizer uma coisa destas. Temos que ter em conta que para além de militante, coordenador de núcleo sou vogal na Assembleia de Freguesia da Maia, eleito por uma lista do mesmo partido que este governo regional e nacional.
Não sei… Dizer que somos o papel higiénico deste governo não me fica bem.
Gostaria de fazer uma correcção: Por estas e por outras é que acho que somos, sempre fomos e sempre seremos a sanita dos governos.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Isto A Mim Chateia-me

Qualquer funcionário público (que chatice, um professor também trabalha para o estado) começa a planear as suas compras cada vez que se aproxima o dia 20 de cada mês. Foi a pensar nesta magnífica data que num intervalo entre duas aulas dei um saltinho à Fnac.pt a fim de ver que novidades discográficas há por lá.
Em destaque está um disco com preço reduzido que se chama The Art of Amália Rodrigues.
Não se trata de nenhuma emigrante portuguesa que gravou um disco, trata-se sim da Amália que todos conhecemos. Pelo título do álbum ainda pensei que fosse alguma importação de algum disco internacional da Amália, mas pela lista de faixas, vê-se bem que os temas são em português, e a edição é nacional, e nem se quer o título é a tradução. É mesmo o nome original da compilação
Nunca percebi que mania temos nós de dar nomes em inglês a coisas bem portuguesas.
Alguma vez os americanos se lembraram de lançar um álbum com o nome original de “O Melhor do Country Americano”? Ou os chineses alguma vez se lembraram de introduzir nos seus computadores caracteres ocidentais para poderam lançar um álbum com o nome “Choi Su e o Trio Long Fui Chu Cantam Shing Fu”? -podem procurar na Internet informações sobre estes artistas.
Por falar em caracteres ocidentais, e por falar em pseudo-melhores-do-mundo... desculpem, por falar em americanos, estes senhores que têm a mania da globalização, e que são o melhor caminho para a globalização, não usam nos seus computadores teclados com acentos, nem a tecla ç. Ontem li o nome de uma senhora portuguesa que por baptismo se chama Mendonça, mas desde que se tornou emigrante viu-se obrigada a começar a assinar o seu nome à moda americana, ou seja Mendonsa.
A economia portuguesa não depende destes casos, e o desemprego não vai diminuir se deixar de acontecer casos como estes, mas isto demonstra bem o respeito que temos pela nossa língua, e isto a mim chateia-me.

sábado, janeiro 14, 2006

Rádio Cowboy Cantor- Segunda Emissão

nota: para ligações mais baixas, é aconselhável ouvir a rádio em http://cowboycantor.mypodcasts.net

Já está no ar a segunda emissão da Rádio Cowboy Cantor.
Para ouvir aqui, aqui, ou então, e a paritr de Quinta-feira passada, também disponível através do portal de música Cotonete.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Ai Maria de Lurdes, o que tu me fazes sofrer! (leia-se escrever)

Não consigo perceber como é que uma lei que impede os professores de concorrerem durante os próximos três anos, é uma lei de estabilidade e que cria mais lugares para a colocação de professores.
O novo decreto-lei aprovado hoje, é defendido pela ministra da educação, essa nobre pessoa (pelo cargo que ocupa) que acha que as decisões do tribunal de Ponta Delgada nada têm a ver com as de Lisboa, porque os Açores são outra coisa que não Portugal, como um decreto que facilita a fixação de um professor numa escola, promovendo a aproximação à família.
Bonito, bonito. A partir desta noite vou rezar um rosário antes de adormecer, e pedir a Deus, com a graça dos programas informáticos responsáveis pela colocação dos professores, que seja colocado no Corvo, para, segundo a ministra da educação, ficar mais perto da família.
Também se refere que, sendo as colocações válidas por três anos, para além de promoverem a aproximação à família, promovem a aproximação à residência. Mais pudera. Se eu soubesse que entre 2006 e 2009 iria ficar colocado a 600 quilómetros da Maia, mais metro, menos metro, a primeira coisa que faria seria arranjar uma casa onde pudesse ficar durante este período. E depois de ter uma casa para morar durante três anos, a cinquenta metros da escola, trataria de arranjar alguém que compartilhasse a casa comigo. Partindo do princípio que iria criar amizade a esta pessoa, afinal de contas iríamos viver três anos juntos, o mais certo era que ao fim de alguns meses já consideraria o meu companheiro de casa como um membro da minha família.
Como vê, Dona Maria de Lurdes Rodrigues, o seu sistema é perfeito… Dedique-se à pesca.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Como Disse?

Esta aproximação ao dia 22 está a ficar muito interessante. Vinha eu a caminho da Povoação, a planificar mentalmente um ou outro pormenor para as aulas de hoje, quando começo a ouvir uma voz vagamente familiar, mas que já não ouvia há algum tempo. Parei por momentos os meus pensamentos, e comecei a prestar atenção ao que ouvia na rádio. Não consegui acreditar muito bem no que ouvia, mas a verdade é que ouvi dizer o próprio Pedro Santana Lopes (o ex-tantas coisas, inclusivé ex-primeiro-ministro indigitado) a dizer que se o Cavaco Silva for eleito presidente da república será muito mau para Portugal, não devido às discordâncias ideológicas entre Cavaco e Sócrates, mas sim pelo tipo de política que ambos praticam.
É mesmo para pedir: Importa-se de repetir?

terça-feira, janeiro 10, 2006

A Visita

Ainda não sei o que é ter um filho em casa, mas só ter uma sobrinha com 4 meses é suficiente para perder uns minutos de manhã, e sujeitar-me a chegar atrasado às aulas.
A Marta e a mãe quiseram vir de Oeiras para a Maia, visitar o tio, o avô e a avó. Já aproveitei para dar umas aulas de canto à Marta.
Na fotografia podemos ver a futura soprano da Orquestra Sinfónica de Moscovo a se preparar para mais uma aula.
...E o cheiro a bebé pela casa?..
Posted by Picasa

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Já Chegou

Estou no ar. A Rádio Cowboy Cantor já nasceu, e a primeira emissão está no ar.

Para ouvir há três alternativas:
1) Através do blogue Cowboy Cantor
2) Através da página da Rádio Cowboy Cantor
3) Através do iTunes, ou outro leitor de podcasts, inserido este endereço http://cowboycantor.mypodcasts.net/podcast.php

quinta-feira, janeiro 05, 2006

A Minha Primeira Gorjeta

Por causa deste texto sobre gorjetas, lembrei-me da minha primeira gorjeta.
Estava no meu primeiro ano de serviço, a sorte ditou que iria apenas ter duas horas de aulas por dia de Segunda a Sexta, logo fui arranjar outro emprego para me entreter e poder comprar uma bicicleta (não se riam porque sempre disse que comprava uma bicicleta no meu primeiro ano de serviço). Nada melhor do que uma livraria, mesmo ao lado de uma loja de discos (qual delas?). A minha primeira gorjeta, ao fim de duas semanas de professor-livreiro, foi dada por uma simpática inglesa:
- Thanks for your help, mister. I’d like to give you something for your kindness, but I just came from the ship... Oh, do you like english tea?

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Coisas da Maia

Na mesma terra onde acontecem coisas destas, as quais alarmam muita gente, também acontece o que me acabou de acontecer. Hoje decidi ir ao ginásio em São Brás, a três quilómetros da Maia, de bicicleta. Não contava sair de lá depois das 6. No entanto só voltei para a Maia quase às 7. Ou seja, vinha mentalizado para fazer um exercício de morcego-gato, e vir a voar tentando perceber onde ficam as curvas (sim, a estrada que liga São Brás à Maia não tem luz). Ora, mesmo à saída da última casa de São Brás apanhei com uma carrinha que veio sempre atrás de mim a iluminar-me o caminho, e só fui ultrapassado quando já estava em plena freguesia.
É mesmo para recordar a velha frase: “Ainda há gente boa nesta terra”.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Regresso à Rotina

Sem perceber como, acordei hoje às 8:30, pondo fim a duas semanas de férias de Natal. É altura de regressar às aulas, mas sabia bem mais uns dias de descanso.
Pensando na situação actual do ensino em Portugal, dos funcionários públicos, da situação do país em geral, obrigo-me a acreditar que um dos poucos motivos que tenho para ser um professor feliz em Portugal é exactamente as três interrupções lectivas que temos ao longo de um ano.

nota: Já ressuscitei no :Ilhas. Já me tiraram o traço.