A Minha Rádio Podcast: Cowboy Cantor

terça-feira, janeiro 03, 2012

Tenho de andar mais contigo. Não tomas drogas

Foi assim que a conversa terminou:
- Eu sei que se andar contigo não vou ter recaídas. Quando muito bebemos uma cerveja a mais, mas naquela merda não toco se estiver contigo.
A conversa terminou não tanto pelo facto de ele ter acabado de declarar amizade. Mais pelo facto de eu ter ficado emocionado com a frontalidade e à-vontade com que falou da sua recuperação. Ainda lhe dei um soco no peito, para ver se estava mesmo rijo. Como antigo jogador de andebol que é, com certeza que ainda teria um peito duro. E recebeu a agressão com um grande sorriso:
- Está duro, não está? Eu estou rijo.
Já outra situação parecida me aconteu com outro amigo meu. Em pleno internamento para recuperação, e aproveitando a visita da mãe, diz-lhe:
- Para a próxima trás uma fotografia do Rodrigo.
- E é só do Rodrigo que queres? Não queres dos teus amigos com quem andavas?
- Eles não eram meus amigos. Eram só companheiros. O Rodrigo é que é meu amigo.
Eu olho para 2012 a pensar nestas coisas, ouço o melhor álbum de 2011 (segundo O Rapaz do Cavaquinho) e digo-lhe:
- Podes vir com a fama de que vais ser difícil, mas o meu mundo não acaba enquanto estiveres por cá. Aguentas-te comigo 2012? Olha que tenho muitos amigos.

3 comentários:

MaesDoc disse...

Rodrigo

Quem é um bom amigo decerto que tem amigos bons( Maquiavel?).

O 2012 será mais um pontito no calendário da vida.

Os amigos, todos aqueles que soubermos preservar, são a própria vida.

Abraço
Manel

Rodrigo de Sá disse...

Eu não tenho medo de 2012. Nem tenho medo das pessoas com quem me vou cruzar, apesar o final do primeiro período deixar antever um segundo período difícil em relações profissionais. Mas como muitos, eu já estou cansado do ensino ser o espelho da realidade como nós a queremos, e não como ela é.
Por isso, sim, os amigos serão preservados com a preciosidade necessária como a própria vida.

MaesDoc disse...

Imagino as realidades que vão entrando pelas portas das salas de aula. Ainda por cima para quem tenta ver as crianças e os jovens como um todo, trazendo com eles as famílias e tudo o que os envolve e condiciona.
O saque está na ordem do dia. Ainda ontem enviei para um Serviço de Urgência hospitalar uma doente com suspeita de abdómen agudo. Confirmada a suspeita pelo cirurgião teve que fazer, não sendo a decisão sua, umas análises e uma ecografia que até foram inconclusivos. Teve que pagar no fim da contenda 50 euros, porque ganha mensalmente mais uns cêntimos do que o limiar económico das isenções. Imagina tu, Rodrigo, os problemas deontológicos que isto passará a colocar aos profissionais médicos e até aos doentes que se vão ver na iminência de decidir por fazerem, ou não, exames imprescindíveis e até inadiáveis.